A diferença entre atacar Bogotá e o resto da Colômbia

Por Mariana Clini Diana

Nos últimos dias, quatro petardos (bomba de pequena potência) explodiram em Bogotá, e com isso o pesadelo de dias inseguros voltou a prevalecer entre os colombianos. Rapidamente informações incompletas ou falsas já estavam em muitos celulares e redes sociais, difundindo o pânico entre muitos bogotanos.

Em época de augúrio de paz, Juan Manuel Santos havia recém pousado em Lima, na última quinta-feira (02/07), para a 10ª Cúpula da Aliança do Pacifico quando soube da situação na capital. Sem nem desembarcar, Santos ordenou que o avião presidencial o levasse de volta ao seu país para manejar a situação de perto.

Restos de uma das quatro explosões ocorridas em Bogotá nos últimos dias. (foto: Colprensa)

Uma das quatro bombas que explodiram em Bogotá nos últimos dias causou sérios destroços em agência de pensões, no coração financeiro da cidade. (foto: Colprensa)

Algumas hipóteses sobre a autoria das bombas foram especuladas, porém o próprio mandatário acredita que o grupo guerrilheiro Exército de Liberação Nacional (ELN) esteja por trás dos dias intranquilos que viveu Bogotá.

Apesar de a capital colombiana já ter presenciado atentados atrozes, como o do clube El Nogal – reduto da classe alta bogotana, onde morreram mais de 30 pessoas, em 2003 –, os habitantes de Bogotá nunca vivenciaram o conflito armado com tanta intensidade como no resto do país.

As últimas bombas que explodiram em Bogotá tiveram maior repercussão, inclusive a ponto de mudar a agenda do presidente, que os últimos atentados ocorrentes no resto do país. A Colômbia está vivendo dias intranquilos, pelo menos depois de passar quase seis meses em que o conflito interno diminuía sua intensidade, provocado pelo cessar-fogo unilateral por parte das Forças Armadas Revolucionarias da Colômbia (FARC). Quando o grupo guerrilheiro decidiu voltar ao combate, o país passou novamente a ver notícias de atentados país afora estampadas nas capas dos jornais.

Desde maio deste ano, o grupo guerrilheiro efetuou mais de cinco ataques, principalmente contra instalações de infraestruturas e oleodutos, deixando milhares de pessoas sem luz ou comunicação em regiões como Buenaventura e Tumaco. A população foi prejudicada, assim como o meio ambiente: entre todos estes ataques, a guerrilha também obrigou a que transportadores de petróleo derramassem centenas de galões nas estradas, contaminando rios da região. Todos estes atentados estão ocorrendo longe de Bogotá, e dos olhos do Estado.

O que quer o ELN?

O ELN é considerado o segundo grupo guerrilheiro com mais força na Colômbia, por trás das FARC. Acredita-se que os atos ocorridos foram uma forma de chamar a atenção para o seu aniversário de 51 anos, completados dia 4 de julho. Bogotá também testemunhou atentados parecidos em 2014, no quinquagésimo aniversário deste grupo armado. Mas, por que o ELN não inicia um processo de paz, como as FARC?

Membros do Exército de Liberação Nacional (foto: AFP)

Suposto culpado pelos últimos ataques em Bogotá, o ELN tenta iniciar um diálogo de paz com o governo, como o das FARC. As conversas entre as partes, porém, esbarram em algumas condições. (foto: AFP)

Santos confessou que desde 2013 o governo e o ELN estão se aproximando para tentar iniciar um processo de negociação. Porém, a intensão de instaurar um diálogo parece não ser suficiente para colocá-lo em prática.

Em entrevista para o jornal El Espectador, o máximo comandante do ELN, Nicolás Rodríguez Bautista, de codinome Gabino, enfatizou que, para este grupo, é essencial a participação ativa da sociedade na agenda de acordos. O que demonstra que Gabino quer que este grupo insurgente dialogue com os colombianos, não somente com o governo. Fato que dificulta estabelecer uma agenda de discussão para iniciar um diálogo.

O interesse em finalizar o combate entre o ELN e o governo se origina das duas partes. Primeiro, caso as FARC se desmobilizem e se transformem em um grupo político legal, eles deixariam de ser objetivo militar fazendo com que o foco principal do exército passe para outros grupos ilegais, entre eles o ELN. Do outro lado, para as FARC e o governo, se o ELN não iniciar um processo para deixar de ser um grupo ilegal, os membros das FARC que não estiverem de acordo com a desmobilização poderão se incorporar ao ELN, dificultando a paz efetiva no país.

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Para quem estiver na capital paulista, na tarde desta segunda-feira, o Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz (Cebrapaz), organiza um debate sobre este tema. O encontro “Paz da Colômbia, Paz da América Latina”, inspirado pela fala do ex-presidente uruguaio Pepe Mujica, durante o II Fórum pela Paz da Colômbia – realizado em junho, em Montevidéu, terá a participação de Pietro Alarcón (Partido Comunista Colombiano) e Juan Pablo Tapiro (Marcha Patriótica), além de Socorro Gomes, presidenta do Cebrapaz. O convite é estendido a todos os interessados neste debate sobre a importância dos diálogos de paz para a Colômbia e para a América Latina, assim como os reflexos de mais de cinquenta décadas de conflito armado para todo o continente. O evento acontece na sede do Barão do Itararé, na Rua Rego Freitas, 454, 8º andar, sala 83 (próximo ao metrô República), a partir das 17h30.

Paz Colômbia

  • Marcos

    Um artigo defendendo grupos terroristas e tentando desculpar os crimes desses indivíduos. Lamentável.

    • Waldir PiNot

      Não custou dinheiro do contribuinte. Diferente de Aécio e companheiros que foram à Venezuela, “desculpar os crimes” daquele que proclamou “métodos não pacíficos” pra derrubar um governo constitucional e democrático. Um terrorista que incitou a violência e levou dezenas de jovens à morte… e o PSDB gastou o nosso dinheiro para apoiá-lo !

      • Marcos

        Está tentando rebater meu comentário citando um assunto nada a ver. Estamos falando de terroristas que deixaram cidades por dias sem luz e água. Gente nefanda que não entende outra linguagem que não seja exercer o poder pelo medo. O artigo tenta defender o indefensável.

        • Walter Hugo Fernandez

          pra voce falar de grupo terroristas ten que conhecer a historia da colombia u que ya seria defensavel agora visita s de senadores com dinhero publico a tumultuar un goberno eleito democraticamente eso es indefabei

  • Carlos E. A. Henriques

    Alguém aí lembra do Irã-Contras? Pois é….