A nova OEA, em busca de Cuba e de relevância na América do Sul

Esta semana, a OEA (Organização dos Estados Americanos), elegeu seu novo presidente. O uruguaio Luis Almagro, que foi chanceler durante o governo de Pepe Mujica e eleito senador nas últimas eleições, concorreu como candidato único e foi eleito por unanimidade.

Entre as principais propostas do novo presidente está a de concluir o processo de reintegração de Cuba à entidade, iniciado em 2009, com a derrubara da resolução de 1962, impulsada pelos Estados Unidos, para determinar a suspensão do país caribenho.

O uruguaio Luis Almagro e o chileno José Miguel Insulza, passado e futuro de uma OEA que pretende continuar a ser protagonista no continente. (Foto: AFP)

O uruguaio Luis Almagro e o chileno José Miguel Insulza, passado e futuro de uma OEA que pretende voltar a ser protagonista no continente. (Foto: AFP)

A OEA é a única instância de integração regional no continente que reúne tanto os países latinos quanto os Estados Unidos e o Canadá, inclusive sua sede é em Washington DC. Desde a suspensão de Cuba, a entidade é acusada de defender os interesses estadunidenses. A reincorporação da ilha comunista à entidade será atribuída também à reaproximação desta com os Estados Unidos, razão pela qual também se especula qual será a postura do novo presidente diante do crescente conflito com a Venezuela, apontado pelo Departamento de Estado como o seu novo maior inimigo no continente.

Luis Almagro assumirá o controle da OEA em maio, substituindo o chileno José Miguel Insulza, que encabeçou a entidade nos últimos dez anos, período em que ela demonstrou uma clara perda de protagonismo nas negociações envolvendo os principais conflitos políticos no continente. O fracasso das missões da OEA na contenção dos golpes de estado em Honduras e no Paraguai molestaram principalmente os países sulamericanos de linhas políticas mais progressistas. Esse resultado, ademais, contrasta com os obtidos por outras instâncias mais jovens porém mais efetivas, como a Unasul (União de Países Sulamericanos), que conseguiu frear a desestabilização política na Bolívia, em 2008.

Além disso, os países, principalmente da América do Sul, reivindicam uma reforma da CIDH (Corte Interamericana de Direitos Humanos). A falta de credibilidade da OEA no continente ficou mais explícita quando a Venezuela rejeitou a oferta de mediação durante o conflito político no país, em 2014, preferindo também uma solução nascida da Unasul.

  • Clara

    ~~~ concorreu como candidato único e foi eleito por unanimidade ~~~~

    • Gibraldo

      Nesse caso está correto, pois poderia haver abstenções.

      • Victor Farinelli

        Aliás, houve sim uma abstenção, mas do próprio Uruguai.

  • Estamos aguardando.