Após derrota na OEA, Colômbia ameaça rejeitar reunião na Unasul

por Francisco Denis e Victor Farinelli

A chanceler da Colômbia, María Ángela Holguín, afirmou que seu país não participará da reunião de chanceleres da Unasul (União de Nações Sulamericanas) caso ela não aconteça nesta semana.
O encontro foi solicitado pelo presidente colombiano Juan Manuel Santos, para tratar do conflito fronteiriço iniciado há três semanas, e que levou ao fechamento da fronteira entre as cidades de Táchira (Venezuela) e Cúcuta (Colômbia), e estava programado para esta quinta-feira (3/9).

As chanceleres da Venezuela, Delcy Rodríguez, e da Colômbia, María Ángela Holguín. A reunião da semana passada não conseguiu frear a tensão entre os dois países. (foto: AFP)

As chanceleres da Venezuela, Delcy Rodríguez, e da Colômbia, María Ángela Holguín. A reunião da semana passada não conseguiu frear a tensão entre os dois países. (foto: AFP)

Porém, o presidente venezuelano Nicolás Maduro já tinha agendada uma viagem à Ásia, junto com sua chanceler, Delcy Rodríguez, o que levou o organismo a adiar o encontro para uma data ainda não definida. A informação foi confirmada pelo vice-chanceler do Equador, Xavier Lasso.

A decisão desagradou a diplomacia colombiana. A chanceler Holguín afirmou que “os países da Unasul sabe o que está acontecendo, e a grave situação dos cidadãos colombianos deportados. Se a reunião em busca de soluções tem que ser esta semana, ou não valerá a pena”.

Na noite desta segunda-feira (31/8), uma sessão extraordinária do Conselho Permanente da OEA (Organização dos Estados Americanos) terminou com a proposta de uma reunião de chanceleres da organização sendo rejeitada – com 17 votos contra, cinco a favor e 11 abstenções, entre elas o Brasil – fechando as portas para outra instância que poderia levar a uma solução do conflito.

No dia seguinte, o presidente colombiano Juan Manuel Santos afirmou que pretende levar o caso a todas as instâncias internacionais possíveis, e não descarta apresentar a denúncia na ONU (Organização das Nações Unidas) e na Corte Internacional de Justiça, em Haia.

Unasul

Apesar da incerteza a respeito da realização ou não da reunião entre os chanceleres, a Unasul foi incisiva ao pedir que o governo venezuelano suspendesse imediatamente as deportações de colombianos. O secretário-geral da organização, o colombiano Ernesto Samper, condicionou sua disposição para mediar o conflito entre os dois países à suspensão das deportações e a criação de um “mecanismos institucional para a defesa dos direitos dos deportados”.

Além disso, Samper propôs a criação de sistema para combater o crime na fronteira entre os dois países, onde as autoridades venezuelanas acusam os paramilitares dedicados ao contrabando de colaboram para desestabilizar o governo Maduro.

Ernesto Samper, secretário-geral da Unasul, também que meter a mão no conflito, e buscar uma solução diplomática. (foto: AFP)

Ernesto Samper, secretário-geral da Unasul, também que meter a mão no conflito, e buscar uma solução diplomática. (foto: AFP)

O governo venezuelano não respondeu a oferta de Samper, mas anunciou que a recuperação de mais de 500 toneladas de alimentos armazenados por grupos de contrabandistas ligados a organizações paramilitares colombianas, que levariam os produtos para serem vendidos no lado colombiano.

Tensão

O conflito teve início no ultimo dia 19 de agosto, após uma operação anticontrabando na cidade de San Antonio de Táchira, onde três militares venezuelanos foram gravemente feridos por supostos contrabandistas colombianos não identificados.

No mesmo dia, o presidente venezuelano Nicolás Maduro decretou Estado de Exceção e fechou a fronteira entre os dois países por 72 horas deslocando mais de 2 mil efetivos militares no local. No dia 22 de agosto, a ordem de fechamento se prolongou por tempo indeterminado.

Maduro culpou os paramilitares colombianos pelo fato, o que levou a uma série de deportações de colombianos do território da Venezuela. Boa parte só trouxe a roupa do corpo e acusam as autoridades venezuelanas de abusos e arbitrariedades. No entanto, os representantes do poder público negam a informação e garantem que o processo ocorre dentro do que a lei determina.

Diplomacia

A crise se tornou diplomática. As ministras das Relações Exteriores dos dois países tiveram uma reunião nessa quarta-feira (26) em Cartagena de Índias, na Colômbia, na qual surgiu a proposta de um plano de segurança para a zona.

Enquanto as soluções não chegam, centenas de colombianos enfrentam diariamente as duras consequências sociais do conflito. (foto: AFP)

Enquanto as soluções não chegam, centenas de colombianos enfrentam diariamente as duras consequências sociais do conflito. (foto: AFP)

A chanceler venezuelana, Delcy Rodríguez, reclamou de uma manipulação midiática. “A imprensa colombiana tem mentido ao povo colombiano e para a comunidade internacional sobre as agressões a cidadãos colombianos”. Também afirmou que é preciso “criar um mecanismo de comunicação mais direto entre os dois países, que trabalhe com informações oficiais de ambas as partes do conflito”.

Por sua parte, a chanceler colombiana María Ángela Holguín reconheceu os problemas que existem nas fronteiras entre os dois países, e que eles são provocados por grupos criminosos ligados ao narcotráfico e à extração ilegal de combustíveis e outros produtos subsidiados pelo governo chavista, o que gera o contrabando e acaba prejudicando a economia da Venezuela. Porém, também classificou a situação pela qual estão passando os refugiados colombianos como “inaceitável”, e pediu a reabertura da fronteira, “para que os dois países possam dialogar em favor de uma solução sem pressões”.

O baixo preço da gasolina, subsidiado pelo governo venezuelano, é um prato cheio para os contrabandistas. Para se ter uma ideia, um galão de 20 litros de gasolina vale aproximadamente US$ 0,30 (na cotação oficial). Um pimpinero – como são chamados os contrabandistas de gasolina – consegue vender esse galão na Colômbia por um valor que às vezes chega a ser dez vezes maior do que o da compra.

  • Ditadura Nunca Mais

    A Venezuela esta repleta de razões diante da miserável Colômbia que obriga os seus cidadãos a comprar produtos contrabandeados para sobreviver. Alvaro Uribe é o grande responsável por estas manobras.

    • soniam queiroz

      Uribe é um heroi da democracia, alguém que enfrentou os marginais narcotraficantes assassinos das FARCs na bala, e se tivesse no poder destruiria esta instituição criminosa.Os Colombianos vivem numa democracia prejudicada pelos comunistas que querem transformar seu país em mais uma ditadura criminosa igual a Cuba, que matou mais de cem mil inocentes e ainda continua matando, vc ter o descaramento de querer comparar com a Venezuela das eleições falsificadas quanto as daqui, que não tem nada, nem papel para limpar a bunda é pura alienação de um idiota útil comunista.E pior, mesmo sabendo que todo regime de esquerda falida ou é democratura a moda do Evo IMORALIS, ou ditadura assassina tipo Cuba e Coreia do Norte, vc comunista e bolivariano ainda assina; “Ditadura nunca mais” PIADA!