Capriles Tour 2013, a turnê regional do não-presidente da Venezuela

foto: Wikipédia

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Nesta quinta-­feira (18/07), enquanto o presidente venezuelano Nicolás Maduro completa três meses no poder, o candidato derrotado por ele nas últimas eleições, Henrique Capriles Radonski, inicia no Chile uma turnê que pretende passar por outros quatro países (entre eles o Brasil, último destino da viagem), em busca de apoio às suas denúncias de fraude eleitoral.Capriles perdeu a eleição do dia 14 de abril por uma diferença de 1,49% (cerca de 225 mil votos), mas alega que houve irregularidades no processo. Pediu uma auditoria nas urnas eletrônicas, que foi realizada pelo CNE (Conselho Nacional Eleitoral da Venezuela), e que, no dia 8 de junho concluiu que não houve problema algum no processo eleitoral.

Mas ele não se deu por satisfeito, e montou sua turnê de apoio internacional. Ainda em junho, visitou a Colômbia e foi recebido pelo presidente Juan Manuel Santos, o que causou incômodo no executivo venezuelano e quase deflagrou um conflito diplomático. A repercussão daquela visita fez o entorno de Capriles projetar outras viagens, para fazer o mesmo barulho. A turnê pretende passar por Chile, Peru, México e Brasil, começando pelos dois países andinos (as outras duas paradas ainda não têm datas confirmadas).

Ao chegar em Santiago, na qualidade de não­-presidente venezuelano, Capriles afirmou que “a Venezuela ajudou muitos chilenos que tiveram que deixar o país, que combateram a ditadura de Pinochet exilados em Caracas, agora esperamos também alguma ajuda na nossa luta pela democracia”.

A agenda do candidato, porém, diz outra coisa. Capriles almoçou com dirigentes dos partidos RN e UDI, que sustentaram a ditadura nos Anos 80 (quando os partidos políticos deixaram de estar proibidos). Também se reunirá com a executiva da DC (Democracia Cristã), que defendeu o golpe de 1973, mas depois se arrependeu e, na clandestinidade, tentou fazer oposição ao ditador.

Na sexta, está programado um encontro com o presidente Sebastián Piñera, que não será no Palácio de La Moneda, como a equipe caprilista queria. Também houve uma tentativa de reunião com a ex­presidenta e atual candidata presidencial socialista Michelle Bachelet, que foi torturada pela ditadura e cujo pai foi um dos militares mortos por tentar boicotar o golpe. A candidata, porém, disse que não poderia encontrá­lo, afirmando estar com a agenda cheia. No sábado, o não-­presidente Henrique Capriles viajará para Lima.