EDUARDO GALEANO (1940-2015)

Galeano 3“Muita gente pequena, em pequenos lugares, fazendo coisas pequenas podem transformar o mundo.”

“Em 1492, os nativos descobriram que eram índios. Descobriram que viviam num lugar chamado América. Descobriram que estavam nus, que existia o pecado. Descobriram que deviam obediência a um rei e uma rainha de outro mundo, e a um deus de outro céu. E que esse deus havia inventado a culpa e o vestido, e que mandou queimar vivo quem adorasse o sol, a luna, a terra e a chuva que a molha.”

“Os países que dão as ordens no mundo, através dos organismos que criaram para dar as ordens no mundo, ditam as ordens ao mundo mas não as seguem. Sim, porque eles são sádicos, mas não masoquistas.”

Galeano 2

“As guerras mentem. Nenhuma tem a honestidade de confessar: eu mato para roubar. As sempre invocam motivos nobres. Matam em nome da paz, em nome da civilização, em nome do progresso, em nome da democracia, e para que não reste dúvidas, se nenhuma dessas mentiras não for suficiente, aparecem os meios de comunicação dispostos a inventar novos inimigos imaginários, para justificar a conversão do mundo em um grande manicômio, e imenso matadouro.”

“Os cientistas dizem que estamos feitos de átomos, mas um passarinho me contou que estamos feitos de histórias.”

“O futebol corre o perigo de se tornar um negócio tão rentável quando o das drogas e das armas. O que vai acabar com o miserável torcedor que vive da sua paixão, que dorme na porta do clube, ou o mendigo do bom futebol, que anda de estádio em estádio, com seu chapéu nas mãos, pedindo “uma jogadinha brilhante pelo amor de Deus.”

“A liberdade do dinheiro é inimiga da liberdade das pessoas.”

Galeano 1

Reunimos acima algumas das facetas de Eduardo Galeano em sete frases suas. A do uruguaio que sonhou com a grande transformação em pequenas proporções, a do historiador da América Latina e suas veias abertas, a do questionador da ordem mundial, a do jornalista que denunciava o saqueamento e a matança dos países pobres, a do mais sensível contador de histórias, a do escritor amante do bom futebol (torcedor do Nacional, para os que tinham alguma dúvida) e a do defensor, através da poesia, da liberdade que interessa a todos, e não a alguns poucos.

Faltou a do autor que soube, como poucos, mesclar a realidade e a ficção, em suas deliciosas narrativas. Mas para isso, convidamos a que busquem o seu legado e leiam seus livros, não este mero blog.

  • Jorge Alberto da C. Rodrigues

    O livro de cabeceira de muitos esquerdistas latino-americanos, “As Veias Abertas da América Latina”, de autoria de Eduardo Galeano, é uma sucessão de diatribes, muitas vezes sem conexão com a realidade, e que foi rejeitado pelo próprio autor. Mais recentemente, Eduardo Galeano renegou o famoso livro de sua autoria, afirmando que ele não estava preparado, à época, para tratar de economia política e que o texto era ruim.

    • Maria Fernanda Rios

      Vai, confessa que você extraiu essa informação do site da Veja… O pior de tudo é que eu não estou brincando, lembro-me bem do que aquele colunista praticante do jornalismo de esgoto fez com a fala de Galeano na bienal de Brasília, tirando-a de contexto e interpretando-a de maneira esdrúxula e maldosa. É lamentável.

      • Dermeval Vianna

        O pior, Maria Fernanda, é que o comentário do Jorge é igual ao texto que eu li, agora pouco, no Wikipédia…Não liga não ! Se não foi inspirado na Veja, foi a tal de ´oposição` ! Oposição, que se diga, mais seletiva, que só quer o fim da Dilma, mas, não da corrupção…

      • Jorge Alberto da C. Rodrigues

        A seguir a reprodução do contexto em que Eduardo Galeano proferiu a célebre rejeição ao seu próprio livro:
        Eduardo Galeano, o escritor homenageado da Segunda Bienal do Livro e da Leitura de Brasília, ouviu provavelmente a milionésima pergunta sobre Veias Abertas. “Faz 40 anos que você escreveu As Veias Abertas da América Latina. Quais são as veias abertas hoje em dia?” E ele, em um português bastante razoável: “Seria para mim impossível responder a uma pergunta assim, especialmente porque, depois de tantos anos, não me sinto tão ligado a esse livro como quando o escrevi. O tempo passou, comecei a tentar outras coisas, a me aproximar mais à realidade humana em geral e em especial à economia política –porque As Veias Abertas tentou ser um livro de economia política, só que eu ainda não tinha a formação necessária. Não estou arrependido de tê-lo escrito, mas é uma etapa superada. Eu não seria capaz de ler de novo esse livro, cairia desmaiado. Para mim essa prosa de esquerda tradicional é chatíssima. O meu físico não aguentaria. Seria internado no pronto-socorro… ‘Tem alguma cama livre?’, perguntaria.”

        • Maria Fernanda Rios

          E onde está mesmo escrito que ele rejeita o livro? Ou que o livro era desconectado da realidade? Ou que o texto era ruim? Pra mim isso é uma fala absolutamente natural de um autor que reconhece que uma obra é fruto pessoal de uma etapa da vida, e que quer continuar a fazer outros trabalhos. Até Foucault já falou sobre isso, sobre como é difícil e indesejado escrever um livro e ficar para sempre preso a ele. Poupe-nos de sua interpretação maldosa.

    • Ricardo Staack

      Era um livro proibidão em todas as ditaduras patrocinadas pela direita norte americana que derrubaram governos democráticos, em toda a América latina e do Sul, com campanhas solertes pela mídia conivente, de desabastecimento do povo pelos donos de transportadoras e de supermercados, programas radiofônicos tipo lacerdistas/udenistas caluniando e acusando sem nenhuma prova, pois está tudo comprovado, não eram teorias conspiratórias era patifaria DIREITISTA da grossa mesmo, os telegramas entre os embaixadores, e seus superiores, depois de 40 anos deixam de ser secretos e passaram ao domínio público. Europeus, depois os EUA nos roubando com a desculpa do comunismo.
      Ficou tudo claro e comprovado. Veias abertas da América Latina, era proibidão em muitos países COM GORILAS NO GOVERNO. Se você tivesse algum inimigo, era só jogar um exemplar na caixa de correio do fulano, dar um telefonema para o DOPS, e o teu desafeto sumia para sempre. Mole mole. Ele recentemente ressaltou que o livro era atualíssimo.

    • Ricardo Staack

      Ele absolutamente não relegou o que escreveu. Galeano disse o seguinte: “A Veias Abertas tentou ser um livro de economia política, só que eu com 31 anos, não tinha a formação necessária”, disse. “Não estou arrependido de tê-lo escrito, mas foi uma etapa que, para mim, está superada”. Agora Thomas Piketty está aí complementando a parte da economia, que faltou no livro do Galeano. Mais atual impossível.

    • Ricardo Staack

      Não esqueça que os EUA eram em 1964 oficialmente, RACISTAS e segregacionistas.

    • Ricardo Staack

      O episódio demonstra que Galeano assumiu um tom mais ponderado. Claro com os chifrudos maçônicos adoradores de dinheiro americanos, não se pode bater de frente.

    • Ricardo Staack

      Quer coisa mais atual que essa frase, em dias de preparação de guerra contra o Islã, como estão fazendo os sionistas? “” “As guerras mentem. Nenhuma tem a honestidade de confessar: eu mato para roubar. As sempre invocam motivos nobres. Matam em nome da paz, em nome da civilização, em nome do progresso, em nome da democracia, e para que não reste dúvidas, se nenhuma dessas mentiras não for suficiente, aparecem os meios de comunicação dispostos a inventar novos inimigos imaginários, para justificar a conversão do mundo em um grande manicômio, e imenso matadouro.” “”” plim plim!

  • Jongo da Serrinha

    Um dos maiores escritores sulamericanos de todos os tempos.

  • Tamosai

    Para quem ainda não leu alguma coisa de Eduardo Galeano, sugiro o texto curto chamado “O direito de sonhar”. Tem aproximadamente uma página e está disponível na Internet.
    Além de ótimo escritor, tinha grande engajamento político e humanista.

  • Pingback: ‘El fueguito’ Eduardo Galeano se apaga | A Tal Mineira – Blog da Sulamita()

  • Rodrigo

    A primeira frase acima demonstra que Galeano sabia que a tão almejada sociedade justa e fraternal nunca poderia ser imposta de cima para baixo, portanto nunca deu seu apoio aos governos comunistas ou pseudo-socialistas.

  • Ricardo Staack

    Hugo Chávez é um demônio. Por quê? Porque alfabetizou 2 milhões de venezuelanos, que não sabiam ler e escrever, mas vivem num país que tem a riqueza natural mais importante do mundo que é o petróleo. Eu morei nesse país alguns anos e conheci muito bem o que era. Chamam de “A Venezuela Saudi” por causa do petróleo. Tinham 2 milhões de crianças que não podiam ir às escolas porque não tinham documentos. Eduardo Galeano

  • Ricardo Staack

    Aí chega um governo, esse governo diabólico, demoníaco, que faz coisas elementares, como dizer “As crianças devem ser aceitas nas escolas com ou sem documentos”. Aí se cai o mundo: isso é a prova de que Chávez é um malvado-malvadíssimo. “Eduardo Galeano” autor de — As veias abertas da America latina.