Guerra civil pauta eleições na Colômbia

No domingo (25), a Colômbia realizou eleições presidenciais. Entre os cinco nomes, nenhum obteve votos suficientes para vencer no primeiro turno. O candidato e atual presidente, Juan Manuel Santos, teve 25,5%, e o oposicionista Óscar Zuluaga teve 29,2%. Esse resultado era esperado: as pesquisas de intenção de voto apontavam os dois na liderança, praticamente empatados.

A candidata conservadora Marta Lucía Ramírez ficou em terceiro, com 15,6%, em seguida ficou Clara López, 15,32%, do Polo Democrático Alternativo (progressista) e depois Enrique Peñalosa, da Aliança Verde 8,%. O índice de abstenção foi de 60%.

A grande diferença entre os projetos de Zuluaga e Santos é em relação às negociações com as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia). Zuluaga, apoiado pelo ex-presidente e senador eleito Álvaro Uribe, defende a interrupção dos diálogos – que já estão em andamento – entre o governo e a guerrilha. “Não se consegue a paz com um acordo”, consta em seu programa de governo. Santos garante que conseguirá colocar fim à guerra civil. “Não deixemos passar esta oportunidade de ouro que temos. Jamais estivemos tão perto de conseguir a paz”, escreveu o presidente em sua conta no Twitter.

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Santos vota (Crédito: Facebook)

 

Em 2010, quando foi eleito, Santos era o nome de Uribe. Os dois romperam quando o atual mandato começou negociações com as Farc em 2012. O acordo de paz em andamento contempla cinco pontos principais: desenvolvimento rural, garantias de direitos civis e políticos para membros desmobilizados da guerrilha, fim do conflito armado, tráfico de drogas e direitos das vítimas do conflito. A expectativa do governo é que os diálogos sejam concluídos em meses, e não arrastem por anos a guerra civil, iniciada em 1964.

Em seu programa de governo, Zuluaga menciona a necessidade de investir mais em educação e em saúde e afirma que a “classe média está estrangulada pelo sistema tributário”. Entretanto, o aspecto mais mencionado ao longo do documento é a segurança: “Colômbia merece um novo governo porque NÃO PODEMOS TOLERAR que o terrorismo se aproprie de nossas instituições e nos leve à vitória da impunidade”. Uma das principais críticas do candidato é a possibilidade de os guerrilheiros serem anistiados ou terem penas reduzidas após o fim das negociações.

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Zuluaga vota (Crédito: Facebook)

 

Além das Farc, estão na guerra civil o ELN (Exército de Libertação Nacional) e também um grupo paramilitar de extrema-direita, as Autodefesas Unidas da Colômbia, existentes desde 1997, cujo objetivo é combater os guerrilheiros de esquerda.