Ministras colombianas saem do armário e assumem namoro

A defesa dos direitos civis LGBT não é uma exclusividade da esquerda – diferente do que dizem alguns pastores evangélicos, que confundem a diversidade sexual com o comunismo. Se fosse, não seria possível haver homossexuais de direita, e eles não são poucos, embora talvez sejam mais visíveis em outras latitudes, mas também existem na América Latina.

Gina Parody com seu cachecol, Cecilia Álvarez com seus óculos vermelhos, durante a festa de apresentação dos ministros para o segundo mandato de Santos. Quando sua relação ainda era um segredo para o país.

Gina Parody com seu cachecol, Cecilia Álvarez com seus óculos vermelhos, durante a festa de apresentação dos ministros para o segundo mandato de Santos. Quando o namoro ainda era um segredo na Colômbia.

Um bom exemplo latino dessa realidade foi conhecido esta semana, quando duas ministras colombianas assumiram que são lésbicas, e mais que isso, revelaram ao país a relação entre ambas. Gina Parody, advogada e ministra de Educação, é tão neoliberal quanto sua namorada, Cecilia Álvarez, economista e ministra de Indústria e Comércio. Independente de suas opiniões políticas, as duas mulheres se amam, e isso é o que importa.

O presidente colombiano Juan Manuel Santos, também mais liberal no sentido económico que valórico, sabia da relação quando as escolheu para compor o ministério do seu segundo mandato, que assumiu o cargo no dia 11 de agosto, mas não colocou nenhuma condição a elas. “O presidente teve muita gentileza, porque nos preferiu sabendo o que havia entre a gente, quando muitos teriam nos descartado por isso, e não fez qualquer tipo de intromissão. Poderíamos manter nosso segredo se quiséssemos e não haveria problema, mas decidimos que era hora de enfrentar a sociedade com a verdade”,  afirmou Álvarez, que logo deu a entender que sua visa profissional conhece a discriminação por causa de sua sexualidade: “afortunadamente, o tempo da perseguição e da rejeição já passou”.

Na Colômbia, o matrimônio entre pessoas do mesmo sexo é favorecida por uma sentença da Corte Constitucional publicada em junho de 2013, apesar de o Congresso do país ainda não haver legislado o projeto que o tornaria lei definitiva. Ainda assim, a sentença da Corte abre uma jurisprudência, mas a permissão para tornar efetivo o matrimônio ainda fica sujeita à consciência de cada juiz. Com relação ao direito à adoção, a mesma Corte acaba de publicar nova resolução, no dia 26 de agosto, que permite a uma pessoa homossexual ser reconhecida como pai ou mãe de uma criança no caso de que o(a) parceiro(a) seja pai ou mãe biológico(a) da criança. Também existe uma lei que pune a discriminação contra homossexuais, que se aplica inclusive às Forças Armadas – que, por isso mesmo, não possui barreiras para o recrutamento de pessoas com diferentes orientações sexuais.

  • Maria da Gloria Botelho de Oliveira

    Só temos que agradecer a essas Ministras , pois o AMOR é DEUS em manifestação ! Nunca temos que nos envergonhar dele !

  • Danilo Henrique

    O liberalismo é justamente isso, a defesa de todas as liberdades individuais desde que assumidas as suas responsabilidades.

    No caso da sexualidade, isso é algo que pertence a esfera privada e não interessa ao público

    Assim sendo, nenhum tipo de casamento deveria ser reconhecido pelo Estado, mas sim pelas instituições civis

    Enfim, aqui a direita e a esquerda estão atrasados e geralmente disputam para ver quem é o mais atrasado.

    Mas ainda acredito no Brasil…só que não para esse século!