O neonazismo mora ao lado

Alejandro Biondini, liderança política e jornalista, é o polêmico nome por trás do partido argentino Bandera Vecinal. Polêmico: Biondini aparecia frequentemente fazendo a saudação nazista, acompanhado de um bracelete com símbolo do partido no braço. Embora rejeite o título de “neonazista”, Biondini parece ter saído diretamente do Terceiro Reich para a América contemporânea. E não é apenas pelos gestos que remetem às manifestações de regimes autoritários da Europa do século passado, mas sobretudo por seu discurso. Nacionalista, defende a “Argentina para os Argentinos” e já disse publicamente “nosotros reivindicamos a Hitler. Hay en este momento todo un Movimiento internacional que dice que todo lo contado desde el 45 a la fecha es Mentira” (Nós reivindicamos Hitler. Neste momento, existe um Movimento internacional que diz que tudo o que foi contado desde 45 até a presente data é Mentira. Tradução minha).

O comportamento é o suficiente para defini-lo como uma das novas caras do neonazismo na Argentina, dizem seus críticos. Seus defensores afirmam, por outro lado, que Biondini não tem Hitler como referência. Trata-se de um erro de interpretação do discurso e perseguição. Ele “claramente se referia ao Revisionismo histórico, e segundo este, na Alemanha de Hitler não houve um Holocausto, nem experimentos com humanos, nem comprimidos de sabão, tudo isso era Propaganda de guerra. Lembremos que os EUA invadiram o Iraque alegando que tinham armas química, e hoje sabemos muito bem que não tinham”.

Por fim, os jovens argumentam que a Alemanha Nacional Socialista “libertou seu povo da escravidão produzida pela usura do interesse pelo Dinheiro”, e é que isso o que Biondini reivindica: soberania econômica, política, cultural e territorial.

Um brinde ao partido! Crédito: Facebook do Bandera Vecinal

Um brinde ao partido! Crédito: Facebook do Bandera Vecinal

Essas justificativas foram publicadas no blog ¡EL NACIONALISMO AL TRIUNFO!. Um espaço montado pela juventude do Bandera Vecinal.

Biondini começou a militar cedo. Em 1972, aos 16 anos, foi líder estudantil e se definia um peronista. Desde então, fundou publicações jornalísticas, trabalhou em emissoras de rádio e esteve por um tempo vinculado a uma das correntes do Partido Justicialista(PJ) – o mesmo de Menem, Néstor e Cristina Kirchner. Em 1990, já havia deixado o PJ e fundou o próprio partido: PNT (Partido Nuevo Triunfo).

Biondini nos tempos do PNT

Biondini nos tempos do PNT

O PNT tinha uma semelhança visual mais forte com o nazi-fascismo do que o Bandera Vecinal. É que a bandeira da extinta legenda tinha, no centro, o numeral 7 dentro de um círculo branco no fundo vermelho. Seu símbolo principal parecia a suástica da bandeira nazista dividida ao meio, tinha o mesmo círculo branco, o mesmo fundo vermelho. A associação sempre negou ser neonazista, embora houvesse outras similaridades para além da bandeira. A data em que comemoravam o “dia do partido” era 20 de abril, a mesma do nascimento de Hitler; um setor do partido se autodenominava “camisas pardas”, denominação usada também pelos membros da SA; uso, nas publicações partidárias, da águia imperial idêntica àquela usada por oficiais nazistas em seus uniformes.

A experiência durou até março de 2009, quando a Suprema Corte de Justiça disse não poder reconhecer como partido político uma instituição de caráter nazista e antissemita, que incitava violência. Foi uma década de disputa judicial para obter reconhecimento legal até sua proibição definitiva.

Nas eleições de 2011, o líder se candidatou ao cargo de Chefe de Governo da cidade de Buenos Aires pelo partido Alternativa Social (AS). Teve 3429 votos, equivalente a 0,19% do total.

Entre 2012 e 2013, Biondini e seus partidários conseguiram se organizar institucionalmente. Fundaram o Bandera Vecinal, incorporando o partido Gente en Acción (GEA) e o AS – ambos ultranacionalistas. Nas eleições legislativas de outubro de 2013, conseguiram apresentar uma lista de candidatos para a Província de Buenos Aires com 902 nomes. Biondini era o primeiro deles. Conseguiram quatro mil votos, mas nenhuma cadeira. cédula vecinal

Símbolo do Bandera Vecinal

Símbolo do Bandera Vecinal

Um detalhe mais: nos meios partidários, Biondini é chamado de Kalki, um apelido que ele mesmo se atribuiu. É uma referência ao Kalki, décimo e último avatar de Vishn, figura da religião hindu.

Enquanto o Bandera Vecinal comemora os quatro mil filiados e o aumento do número de curtidores no Facebook, a DAIA (Delegação de Associações Israelitas Argentinas) se mobiliza, com apoio de alguns parlamentares, para recorrer contra judicialmente contra a formação do partido.

 

  • pablo

    muito boa a materia lamentavel esses pensamentos retrogrados ainda existirem é um alerta , so faltou remarcar a polarizaçao que ha entre menem e Nestor e Cristina Kirchner é verdade q compartilharam partido mas a muita mais muuuuita diferença entre eles ,espero tenha sido sem querer por que confunde, ja basta com a globo desvirtuar a imagem da presidenta argentina