O vídeo que desatou a polêmica na campanha eleitoral argentina

Um spot televisivo virou o novo centro da disputa eleitoral na Argentina, marcando um debate eleitoral que promete ser quente nas próximas semanas.

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Se trata de uma comparação entre o plano econômico da ditadura com o do presidenciável opositor Mauricio Macri, mesclando frases do anúncio oficial feito por José Alfredo Martínez de Hoz, o tristemente conhecido ministro da Economia da ditadura, em 1980, quando o regime se aproveitou da repressão para implantar as bases do modelo neoliberal a ferro e fogo, com declarações de Macri e seus assessores sobre as ideias econômicas fundamentais do seu programa.

Entre as várias semelhanças ideológicas estão a de eliminar os controles de câmbio, fomento à “liberdade de exportação”, eliminando os impostos sobre as exportações, fomento também à importação, eliminando proibições, cotas, licenças e baixando impostos, eliminação dos subsídios aos serviços públicos e arrocho salarial. Ideias que nasceram na Universidade de Chicago e foram introduzidas a partir daquele anúncio durante a ditadura, e que Macri e sua candidata a vice, Gabriela Michetti defenderam em diversos momentos da campanha.

O vídeo tem três minutos e foi exibido pela TV Pública no domingo, no intervalo do jogo entre Boca Juniors e Tigre, partida que teve enorme audiência, já que o time mais popular do país jogava para ratificar o título de campeão nacional deste ano.

O comando eleitoral de Macri criticou duramente o vídeo, classificando-o como um passo mais do que chamam de “campanha de terror” dos governistas contra o candidato da oposição. Horacio Rodríguez Larreta, atual prefeito de Buenos Aires e pupilo político de Macri (que também aparece no vídeo), criticou o vídeo, dizendo que “faz parte desse típico jogo sujo que nasce do desespero de uma candidatura que sabe que está perdendo”.

Mauricio Macri teria uma vantagem confortável nesta arrancada de segundo turno, segundo seus correligionários. (foto: Infobae)

Mauricio Macri teria uma vantagem confortável nesta arrancada de segundo turno, segundo seus correligionários. (foto: Infobae)

Larreta e o comando macrista asseguram ter pesquisas internar onde Mauricio Macri aparece liderando a corrida pelo segundo turno com mais de dez pontos percentuais de vantagem sobre o peronista Daniel Scioli, candidato que representa o atual governo. Esses números, porém não foram divulgados.

Também reclamam que algumas frases de Macri são de mais de dez anos atrás, o que é verdade. Contudo, não afirmam se o candidato mudou ou não sua forma de pensar a respeito desses temas, durante os últimos anos.

Finalmente, a oposição acredita que por trás dessa estratégia, qualificada por eles como “obscura”, está o dedo do publicitário brasileiro João Santana, conhecido por realizar as campanhas do PT no Brasil. A acusação se baseia no fato de que os assessores de Macri consideram o comercial parecido ao vídeo dos “fantasmas do passado”, usado pelo PT no início da campanha de 2014 – depois proibido pela Justiça Eleitoral, após liminar apresentada pelo PSDB.

Santana esteve trabalhando na Argentina durante as eleições primárias, assessorando o peronista dissidente José Manuel de la Sota durante as primárias internas da Frente Renovadora – na qual ele perdeu para Sergio Massa, que depois ficaria em terceiro lugar no primeiro turno.

Scioli pensa em como reverter o clima de pessimismo em torno à sua campanha. A ideia de reforçar a imagem de Macri com o retrocesso parece ser a aposta do momento. (foto: TV Pública Argentina)

Scioli pensa em como reverter o clima de pessimismo em torno à sua campanha. (foto: TV Pública Argentina)

A informação foi negada tanto pela assessoria de imprensa da agência de Santana – que esclareceu que Santana está trabalhando para a campanha de reeleição do presidente da República Dominicana, Danilo Medina.

Nesta, terça-feira, o comando eleitoral de Scioli, que divulgou nota assegurando que seu publicitário chefe continua sendo Ernesto Savaglio, o mesmo do primeiro turno. Também afirmou que as estratégias de campanha para o segundo turno realmente vão mudar, mas afirma que isso é bom para o eleitor, “que precisa saber o que está por trás de ambas as candidaturas, para poder decidir”.

Segundo o próprio Daniel Scioli, “a Argentina não pode ter medo de comparar e confrontar a verdade. A decisão do dia 22 de novembro será entre o projeto que quer levar a Argentina de volta aos piores anos do passado de sua economia, e o projeto econômico que pretende impulsar o país a um futuro melhor”.

  • Deciocar

    Quando vc quiser destruir um país, usar todos os meios antiéticos disponíveis, mentir como se fosse o “guardião da verdade”, chame o João Santana…