Os golpes de Estado do Século XXI

Houve um tempo em que se defendia no Brasil a ideia de que já não havia espaço para golpes de Estado na América Latina. Supostamente, as ditaduras nos haviam ensinado o que não queríamos, e nos Anos 90, alguns comentaristas políticos diziam isso, com uma segurança contagiante, tanto que me contagiaram na época.

Lembrei desses comentaristas – mas não vou citar nomes, até porque acho que realmente acreditavam nisso – quando, já trabalhando como jornalista, vivi na Argentina e no Chile, e pude constatar que a punição aos crimes dessas ditaduras deixou marcas na sociedade e nas instituições. Porém, no Brasil, onde pouquíssimo criminosos da ditadura foram julgados, e nenhum deles condenado, eu só me lembro deles quando vejo essa nova tendência brasileira de ir às ruas pedir intervenção militar.

Decidi então conferir se de fato ela tem fundamento. E não tem! Resumi a pesquisa somente ao jovem Século XXI que vivemos, e me deparei com os seis mais recentes golpes de Estado latinoamericanos – um a cada dois anos e meio. Antes de analisar algumas características deles, recordemos, por ordem cronológica, quais foram e como ocorreram:

Venezuela, 2002

O interessante do cenário que se viveu na Venezuela há treze anos atrás é que talvez ele não seja muito diferente do Brasil atual. A começar pelo fato da disputa política envolver a PDVSA (estatal petroleira venezuelana, a Petrobrás deles).

Carmona Estanga, durante suas poucas horas de governo, após o golpe de Estado de 2002, na Venezuela.

Carmona Estanga, em uma de suas poucas horas de governo, após o golpe de Estado de 2002, na Venezuela.

Durante os primeiros três meses daquele ano, a oposição, junto com os meios de comunicação hegemônicos, começaram uma campanha de desprestígio contra a empresa, questionando seus resultados e sua gestão. Alguns dos principais gerentes da PDVSA apoiavam as críticas e convocaram uma greve geral a partir do dia 9 de abril. A resposta do presidente Hugo Chávez foi a demissão dos gerentes que convocaram a greve, a nomeação de um novo diretor para a empresa e o anúncio de manifestações em defesa da soberania venezuelana sobre o petróleo, em locais diferentes dos protestos pela greve.

No terceiro dia da greve, os manifestantes opositores mudaram o trajeto da marcha, o que causou temor por um possível confronto. Antes que isso pudesse acontecer, foram percebidos disparos contra as duas manifestações, que produziram 19 mortes, a maioria com tiros na cabeça. A oposição acusou o presidente Chávez pelas mortes e o exército invadiu o Palácio Miraflores na noite de 11 de abril, saindo de lá com o presidente preso. Horas depois, Pedro Carmona Estanga, líder dos empresários, jurava como presidente imposto pelos grupos que apoiaram o golpe, e dissolvia o Parlamento, a Corte Suprema, o Ministério Público e o Conselho Nacional Eleitoral.

Porém, seu mandato durou algumas horas. Uma multidão de centenas de milhares de chavistas se reuniu nos bairros carentes de Caracas e foi até o palácio presidencial, exigir a restituição do presidente. O clamor popular levou alguns grupos militares a desobedecerem o alto mando, o que permitiu o regresso de Chávez ao poder.

Análises de criminalística e dos vídeos relacionados ao dia do confronto das marchas provaram que os disparos haviam partido de franco-atiradores da polícia localizados estrategicamente nos edifícios contíguos, e que faziam parte do golpe. Alguns chefes policiais foram condenados, mas anistiados, em 2007, por decreto do próprio Hugo Chávez.

O documentário Chávez; Inside the Coup (Chávez: Bastidores do Golpe), das cineastas irlandesas Kim Bartley e Donnacha O´Brian, que na América Latina foi chamado La Revolución no Será Transmitida (A Revolução Não Será Televisionada), é o melhor trabalho jornalístico, contendo riqueza de detalhes sobre o contexto do golpe de Estado na Venezuela, em 2002.

Haiti, 2004

Após a morte de um de seus líderes, em setembro de 2003, a guerrilha Frente para a Liberação e Reconstrução Nacional inicia uma série de ataques em regiões do interior do país.

Aristide escoltado entre a multidão, enquanto ainda era o presidente do Haiti.

Aristide escoltado entre a multidão, enquanto ainda era o presidente do Haiti.

No dia 5 de fevereiro de 2004, conseguiram tomar a cidade de Gonaïves, terceira cidade mais populosa do Haiti, no litoral norte do país, e duas semanas depois dominaram Cap-Haïtien, segunda cidade mais importante. No dia 29 de fevereiro, os rebeldes invadiram a capital Port-Au-Prince. Horas depois, o então presidente Jean-Bertrand Aristide era derrubado, mas não necessariamente pelas milícias. Uma vez no exílio, na África do Sul, Aristide assegurou que nunca havia renunciado, acusando os Estados Unidos de terem-no sequestrado e levado à força para fora do país. Os opositores ao presidente deposto contestaram a versão, e responsabilizaram Aristide pela crise econômica e a miséria que assolava o país, e o acusaram de não conter a corrupção nas instituições públicas.

Logo, o país sofreu intervenção de forças da ONU. cujo objetivo declarado era o restabelecimento da ordem democrática, em missão que contou com o apoio de diversos países latinoamericanos, incluindo o Brasil. Após a queda de Aristide, o presidente Boniface Alexandre governou o país interinamente, até 2006, quando foi eleito René Preval.

Bolívia, 2008

No segundo semestre daquele ano, uma série de confrontos entre grupos apoiadores e opositores ao presidente Evo Morales começam a acontecer em departamentos no leste do país, os que compõem a chamada Meia Lua, principalmente nos quatro (Pando, Beni, Santa Cruz e Tarija), onde a população indígena não é maioria – o que revelou o preconceito étnico como uma das origens do enfrentamento.

Indígenas sepultam as vítimas do massacre de Pando, em 2008.

Indígenas sepultam as vítimas do massacre de Pando, em 2008.

Durante cerca de vinte dias, os grupos opositores, liderados por prefeitos da região da Meia Lua, organizaram bloqueios de estradas, greves, ocupação de prédios estatais e até mesmo a sabotagem de um dos principais gasodutos do país. Alguns dirigentes opositores pediam a derrubada de Morales. Outros, principalmente os de Santa Cruz, tentaram organizar um referendo para independência do departamento ou de toda a região da Meia Lua.

No dia 11 de setembro, um grupo de dezesseis camponeses indígenas que apoiavam o presidente foram assassinados, no departamento de Pando, o que foi seguido por outros ataques racistas contra populações indígenas nas regiões insurgentes. A oposição afirmou que presidente perdia o controle do país, e tentou derrubá-lo.

Michelle Bachelet, então presidenta do Chile e presidenta pró-tempore da Unasul, convocou um encontro extraordinário dos presidentes. A entidade classificou os ataques como uma tentativa de desestabilização da democracia boliviana, e anunciou uma série de medidas em conjunto para apoiar o governo boliviano. Diante da total falta de apoio dos demais países do continente, a oposição boliviana decidiu baixar a guarda, desarmar os bloqueios, e até mesmo a ideia de referendo separatista foi abandonada.

Honduras, 2009

Zelaya foi sequestrado em pijamas pelo exército hondurenho, que o abandonou em um aeroporto na Costa Rica.

Zelaya foi sequestrado em pijamas pelo exército hondurenho, que o abandonou num aeroporto da Costa Rica.

No dia 28 de junho, estava programado um referendo para decidir sobre a viabilidade ou não de uma assembleia legislativa para a reforma política do país. Durante a madrugada, um grupo de militares, comandado pelo general Ramón Vásquez Velásquez, invadiu a tiros a casa presidencial e sequestrou o presidente Manuel Zelaya, levando-o de pijamas a um aeroporto, onde foi despachado de avião até a Costa Rica.

Através de uma manobra legislativa, o presidente do Congresso, Roberto Micheletti, conseguiu colocar a si mesmo na presidência, e governou durante seis meses, até a realização de eleições, em novembro, onde foi eleito o opositor Porfirio Lobo.

Manuel Zelaya tentou regressar a Honduras em ao menos três ocasiões, e obteve sucesso na terceira vez, onde conseguiu asilo na Embaixada do Brasil durante cinco meses, até ser definitivamente condenado ao exílio.

Após o golpe, diferentes organizações denunciaram aos organismos internacionais uma escalada de atentados contra comunidades de bairros pobres, cidades da zona rura, movimentos sociais e pequenos meios de comunicação alternativos. Atualmente, o país é apontado pela ONU como o de maior índice de homicídios no mundo.

Equador, 2010

Rafael Correa enfrentando gases lacrimogêneos atirados pela polícia equatoriana. Logo viriam tiros, mas o presidente conseguiu sobreviver.

Rafael Correa enfrentando gases lacrimogêneos atirados pela polícia equatoriana. Logo viriam tiros, mas o presidente conseguiu sobreviver.

Setembro é mesmo um mês preferido para golpes de Estado, principalmente na América do Sul. Neste caso, o confronto aconteceu no dia 30, durante uma greve de policiais. O próprio presidente Rafael Correa foi até um quartel principal da polícia negociar com os grevistas, mas não obteve resultados.

Os líderes do movimento, insatisfeitos com a negativa presidencial, realizaram rapidamente um ataque a comitiva presidencial, com granadas de gás lacrimogênio. Membros da guarda presidencial conseguiram salvar Correa, resguardando-o no Hospital Militar, que ficava próximo ao quartel. O edifício foi cercado pelos policiais grevistas, que chegaram a abrir fogo.

Manifestantes em favor de Correa foram ao local do conflito, protestar contra os ataques, e também receberam disparos. Após a intervenção do Exército, a situação foi controlada, embora tenha terminado com as mortes de dois membros da Guarda Presidencial, dois policiais grevistas e um estudante que estava entre os manifestantes em favor do governo, além de 274 feridos.

Paraguai, 2012

Assim como Zelaya em Honduras, Lugo foi deposto meses antes de terminar seu mandato no Paraguai.

Assim como Zelaya em Honduras, Lugo foi deposto meses antes de terminar seu mandato no Paraguai.

Em maio, a desocupação de uma chácara, na localidade de Curuguaty, no sudeste do país, levou a um confronto entre policiais e camponeses sem-terra, que terminou com um saldo de dezessete mortes (onze camponeses e seis policiais). As críticas ao manejo da situação por parte do governo levou a um pedido de julgamento político do presidente Fernando Lugo, que finalmente aconteceu no dia 22 de junho, e terminou com 39 votos a favor (apenas 4 contra) de declará-lo culpado por uma suposta crise institucional, cuja pena era a sua destituição do cargo.

Lugo tentou se defender com o argumento de que não havia nenhum tipo de manifestação popular contra o governo pelas mortes em Curuguaty e que toda a pressão emanava dos partidos opositores e da imprensa paraguaia, que defendia os interesses dos latifundiários e do agronegócio, mas não conseguiu comover os legisladores. Foi substituído no poder pelo seu vice, Federico Franco, cujo partido PLRA (Partido Liberal Radical Autêntico) já sinalizava uma ruptura com o governo, desde a criação da esquerdista Frente Guasú, em 2010.

No ano seguinte, novas eleições presidenciais levariam ao poder o empresário Horacio Cartes, um dos articuladores da derrubada de Lugo – que foi eleito senador, no mesmo pleito.

Daqui por diante

Fazendo um balanço dos seis golpes que descrevemos acima, pode-se observar que quatro deles conseguiram a destituição do presidente, embora um deles tenha sido revertido no dia seguinte. Os outros obtiveram resultados políticos permanentes.

Outra característica importante dos quatro golpes concluídos, sobretudo em comparação com os do século anterior, é que geraram substitutos civis, ainda havendo evidente participação militar em pelo menos dois deles.

Cinco desses golpes ocorreram contra países da chamada Alba (Alternativa Bolivariana Para os Povos da América), embora a Venezuela tenha sofrido seu golpe antes da entidade existir – o Haiti, que é somente membro observador, também sofreu seu golpe antes, e Honduras deixou de ser membro depois da queda do seu presidente.

Durante os 13 anos de governos do PT, Lula e Dilma venceram o câncer e defenderam um projeto baseado na distribuição de renda. Agora, enfrentam uma oposição que já não titubeia ao falar em impeachment.

Lula e Dilma venceram o câncer, ela antes e ele depois do seu mandato presidencial. Agora, enfrentam uma oposição que já não titubeia ao falar em impeachment. (Foto: Roberto Stuckert Filho/Presidência da República)

Além dos golpes de Estado, os presidentes latinoamericanos também estão tendo que enfrentar neste século uma macabra coincidência (ou talvez não seja mera coincidência, segundo algumas teorias) com respeito a sua saúde – e, outra coincidência, todos os casos envolvendo governantes de com alianças de esquerda ou centro-esquerda. Hugo Chávez terminou falecendo em 2013, vítima de um câncer, o mesmo mal que afetou Lula da Silva (2011), Dilma Rousseff (2009), Cristina Kirchner (2011) e Fernando Lugo (2010). A exceção dos brasileiros, os outros três enfrentaram a doença em pleno exercício de seus mandatos. Também houve a morte de Néstor Kirchner, em 2010, após um inesperado ataque cardiorrespiratório, quando o ex-presidente argentino exercia o cargo de secretário-geral da Unasul. Em 2013, Cristina Kirchner passaria por um novo susto, sendo levada a uma cirurgia de emergência, para retirada de um coágulo no cérebro.

Atualmente, três países vivem situações simultâneas de instabilidade institucional. Na Argentina, a oposição e o grupo de mídia Clarín tentam levar adiante a tese de que a presidenta Cristina Kirchner está envolvida no suposto assassinato do promotor Alberto Nisman, enquanto o país vive um ano eleitoral em que a mandatária não poderá concorrer à reeleição, e com um governismo que ainda não decidiu o candidato à sucessão. O venezuelano Nicolás Maduro, herdeiro político de Chávez, enfrenta uma forte crise, com intensa confrontação política nas ruas, desde janeiro de 2014, e no ano que vem poderia ter que enfrentar um referendo sobre a continuidade de seu mandato. Enquanto isso, Dilma Rousseff inicia o seu mandato com forte pressão da oposição nas ruas, e a oposição declarada até de líderes de partidos da base aliada, num cenário onde já não há cautela para o uso da palavra impeachment.

Mas reitero, este tópico foi para contestar a lembrança que tenho da ideia de que não há mais espaço para golpes de Estado na América Latina, que deve ter nascido e morrido naqueles Anos 90, em que se acreditava que a História havia acabado com a queda do Muro de Berlim. Contudo, não estou apostando em que pode acontecer um sétimo golpe, ou em quão breve isso poderia ocorrer, ainda que haja os que não acreditam em bruxas mas sabem que elas existem – e alguns ainda arriscam dizer de que país elas vêm.

  • Bruna Moreira

    Muito bom! Eu faço apostas de não ter golpe, mas de ter quebras econômicas como tentaram nos outros países. Aposto no golpe do capital internacional para fortalecer as economias mais “antigas”.

  • Victor

    Desses que você mencionou, só conhecia o da Venezuela em 20012, e recentemente o do Lugo. Mas impressiona mesmo a quantidade de golpes que ainda persistem acontecer – na America Latina -, em pleno século XX1. Século onde a ‘democracia’ é tão falada como a melhor forma de governo.
    Só queria acrescentar, que há poucas semanas Maduro divulgou um áudio onde ‘comprovava’ a tentativa de golpe, promovida pelo prefeito de Caracas. E outra, é de se estranhar muuito todo esses sentimento golpista que ocorre atualmente na America do Sul. Principalmente entre 3 dos maiores países da região. No caso, Brasil, Argentina e Venezuela.

    • Than

      Victor, não é um “sentimento”, e sim uma articulação. É necessário desestabilizar a América Latina, afim de evitar seu crescimento e equiparação econômica e social aos ‘países desenvolvidos’. OS EUA perderam poderio com a crise do subprime, e China e Rússia estão tomando este espaço, implementando uma Nova Ordem Mundial. O que a superpotência do norte quer evitar, pois busca se manter na liderança do mundo. Brasil aliado aos BRICS, Incentivando uma nova moeda internacional, e o surgimento da UNASUL, isto se tornou um ‘perigo’, pois a região perde cada vez mais a dependência dos Estados Unidos.

  • Jefferson Andrade

    Olá. Eu estava em Assunção, no Paraguai, em Junho de 2012 e por lá não se considerou a deposição do presidente Lugo como um golpe. Todo o processo ocorreu legalmente, seguindo todos os trâmites previstos na constituição Paraguaia. O próprio presidente Lugo fez um pronunciamento após a votação no congresso dizendo que reconhecia o resultado da votação e se afastaria pacificamente. Ao que me conste, ele nunca classificou sua deposição como golpe.

    O que eu ouvi de vários paraguaios, enquanto estive lá, é que o Brasil estava se aproveitando da situação, e classificando um processo totalmente legal como golpe, para poder suspender o Paraguai do Mercosul e, desta forma, poder fazer uma votação para incluir a Venezuela no Mercosul sem a participação do Paraguai — que sempre se opôs à entrada da Venezuela. Coisa que de fato ocorreu. O Paraguai foi suspenso; uma votação foi convocada às pressas para a entrada da Venezuela; e logo em seguida o Paraguai foi reintegrado ao Mercosul. Se houve golpe, me parece que foi um golpe do governo brasileiro sobre o Paraguai para fazer valer sua vontade no Mercosul.

  • É a economia, cara! Quando ela não vai bem, e é a política alternativa que governa, contrariando interesses do capital maior, os golpistas de todos os quilates e latitudes partem para tentativas escancaradamente antidemocráticas e/ou outras tidas por legais, de modo que consigam abafar essa ideia de que a democracia chegou para ficar no quintal da casa grande, tanto a casa grande subsidiária quanto a matriz, que nunca engoliram democracia fora de seus domínios e do seu domínio. Abre o olho, povo!

  • Alex

    Porquê a mídia não passa as notícias por completo às pessoas? pq tem sempre um viés ideológico? De um lado a “direita” fala sobre golpes da esquerda, mas omite as suas próprias mazelas. De outro, a “esquerda” foca nos golpes da direita, mas esquece que o próprio Chavez tentou um golpe em 1992 em tom ameaçador. Quando teremos uma mídia realmente imparcial?

    • Chis@

      “Chavez tentou um golpe em 1992”

      Ele teve o apoio da população, foi considerado um ‘Robin Hood’ e foi por isso que ele se candidatou a presidente, pois sua agenda (movimento Bolivariano revolucionário) já era conhecida e aprovada pela maioria.

      • Alex

        Nada justifica um golpe. Então podemos invadir o palácio do Planalto, pois o povo brasileiro foi pra rua protestar? Existem meios legais pra se fazer mudanças. Golpe é ruim em ambas as ideologias.

        • roken

          fala isso pro Getúlio Vargas

        • Alisson G. Callado

          Concordo com você, mas o demônio, como se sabe, mora nos detalhes. O contexto é diferente, de qualquer forma. Não podemos chamar sequer a Venezuela antes de Chavez de democracia. Tanto é que o povo nem se importou que houve essa tentativa de golpe. Após isso, ele saiu prestigiadíssimo entre o povo do seu país. Um dos problemas de quem crítica o Chavismo, muitas vezes infundados ou distorcidos pelo que viu na mídia, é que não conhecem a realidade desse país antes disso. Uma dica: procure saber como era a vida do povo antes e depois do surgimento dessas lideranças de esquerda/bolivariana. Garanto que vai se surpreender e refletir um pouco sobre o que é, de verdade, democracia. Democracia fingida não é democracia.

        • Alisson G. Callado

          O romancista Vargas Llosa certa vez definiu o México governado há mais de 70 pelo PRI como a Ditadura Perfeita. Se fingia de democracia, porém era mais mortal que uma ditadura. A mesma definição aplico à elite crioula plutocratica latinoamericana que dominou a região durante 500 anos.

    • Assis Godoi

      Nunca, ninguém é imparcial. Imparcialidade é como a paz, é uma subjetividade que só pode ser buscada.

    • Pedro

      Boa! É isso mesmo!

      Por que todos acreditam que só existe mídia “golpista” pra um dos lados? Os dois lados são golpistas e trabalham pra elevar seus “parças”, custe o que custar.

  • Renato

    Com relação aos outros países não sei, mas basta ter um pouco de memória política e conhecer um pouco sobre o funcionamento do governo. Como ocorreu em outras épocas , estes escândalos servem para desviar o foco das investigações e acabar tudo em pizza.
    O povo brasileiro tem que tirar as chuteiras do pé e usar a cabeça, não sou a favor de político nenhum porque 99,99% olha o interesse próprio. Ao invés de pedir Impeachment, porque não se faz passeata para dar poder a policia federal em apurar os escândalos da Petrobrás, começando de 98, quando o FHC autorizou que a Petrobrás não precisaria de obedecer a lei 8.666, ir para as ruas e exigir o sistema de governo por voto distrital, redução de cargos comissionados, entre outros. Deixem de usar facebook para piada, vamos passar a imagem de politizados e não de palhaços para o mundo. No Brasil é ótimo , você só precisa de dar o circo que o Brasileiro aceita tudo….
    Não existe político bom, existe povo que cobra e faz as coisas acontecerem. Olha São Paulo, se orgulham de serem os eleitores mais inteligentes do Brasil, o resultado está aí , 20 anos de PSDB e estão quase sem água, mas a culpa de ser de São Pedro…. e não quando resolveram colocar a Sabesp na bolsa e pedir financiamentos para pagar bônus aos investidores.

    E sinceramente, na minha opinião, quem levanta bandeira de partido político ou é burro ou tem algum conchave para se beneficiar posteriormente. Acorda Brasil e para de pensar que existe conspiração satânica (presidentes morrendo de câncer), politize-se e entenda como a máquina funciona para exigir seus direitos e não ficar acreditando que virá um salvador da pátria, porque Papai Noel, coelhinho da páscoa não existem!

    • Chis@

      “quem levanta bandeira de partido político ou é burro ou tem algum conchave para se beneficiar posteriormente”

      E vc, quando vai lá votar na maquininha, não escolhe partido? Todo candidato tem um partido. Ou também é contra eleições?

      • Alex

        Eu, particularmente, ainda prefiro acreditar nas pessoas. Já votei em Lula em 3 eleições. Anulei meu voto em 2010, pois não confiava nos dois candidatos apresentados. Votei Aécio 2014, pq a presidente Dilma confirmou a minha desconfiança.

    • Chis@

      “Acorda Brasil e para de pensar que existe conspiração satânica (presidentes morrendo de câncer)”

      Conspirações são reais e vão existir enquanto houver interesses de uma minoria, que vai contra os interesses da grande maioria (plutocracia) – bem vindo ao mundo das guerras frias e da CIA.

      Recomendo-lhe “Confessions of an Economic hitman” de John Perkins, o vídeo ou o livro.

      https://www.youtube.com/watch?v=nndAWd6w7xo – ainda não está legendado em Português.

    • Alex

      Ótimas observações. Essa cegueira ideológica está acabando com o país. Dividindo o país. E não falo somente dos militantes da esquerda. Eu, antes de votar, observo a postura do candidato, não do partido. Já votei tanto em candidatos do PT quanto do PSDB. E não votei pq confiava no partido, votei pq confiava nas palavras e postura dos candidatos.

    • Chis@

      Apologies Of An Economic Hitman:
      https://www.youtube.com/watch?v=fSBMXsx1O6I – selecionar legenda automática em português.

    • Chis@

      https://pt.wikipedia.org/wiki/Smedley_Butler

      “Passei 33 anos e quatro meses no serviço ativo, como membro da mais ágil força militar do meu país – o Corpo de Fuzileiros Navais. Servi em todos os postos, desde segundo-tenente a general. E, durante tal período, passei a maior parte de meu tempo como guarda-costas de alta classe, para os homens de negócios, para Wall Street e para os banqueiros. Em suma, fui um quadrilheiro, um gangster para o capitalismo. […] Foi assim que ajudei a transformar o México, especialmente Tampico, em lugar seguro para os interesses petrolíferos americanos, em 1914. Ajudei a fazer de Cuba e Haiti lugares decentes para que os rapazes do National City Bank pudessem recolher os lucros. Eu ajudei a estuprar meia dúzia de repúblicas da América Central em prol dos lucros de Wall Street […] Ajudei a “limpar” a Nicarágua para os interesses da casa bancária internacional dos Brown Brothers, em 1909-1912. Trouxe a luz à Republica Dominicana para os interesses açucareiros norte-americanos em 1916. Ajudei a fazer de Honduras um lugar “adequado” às companhias frutíferas americanas, em 1903. Na China, em 1927, ajudei a fazer com que a Standard Oil continuasse a agir sem ser molestada. Durante todos esses anos, eu tinha, como diriam os rapazes do gatilho, uma boa quadrilha. Fui recompensado com honrarias, medalhas, promoções. Voltando os olhos ao passado, acho que poderia dar a Al Capone algumas sugestões. O melhor que ele podia fazer era operar em três distritos urbanos. Nós, os fuzileiros navais, operávamos em três continentes.”

      • Souza

        Excelente depoimento, assim como todo o trabalho de John Perkins sobre seus tempos de hitman derrubando governos legítimos na América. Vide os escritos de Atilio Borón neste sentido.

    • aparecido

      Renato, você ainda diz: politize-se? Deixa de ser inocente, meu caro! Quem precisa entender um pouco sobre política não seria você mesmo? Você acha realmente que os países dominantes não interferem diretamente na vida dos outros países? Oh, criança…

  • Souza

    É inacreditável a cara de pau da grande mídia corporativa ao assumir à entrega – ao país yanki – das riquezas existentes nos países de governos progressistas da América. Os resultados advindos de tal vassalagem, instrumentalizada por milhares de lacaios e apoiada por milhões de alienados (estes últimos produtos da desinformação da referida mídia vassala), são ilegais e ilegítimos e levarão a consequências nefastas para todas as sociedades envolvidas, mas acima de tudo para os próprios barões da mídia que sofrerão na pele pela sua absoluta irresponsabilidade e traição.

  • castro

    Debita na conta do estado bandido EUA.

  • ALOISIO

    Somos a bola da vez? Depende de nós!

  • Antonio

    A serpente ainda está viva no Brasil.

  • Felipe Rosa

    Faltou o golpe que o Chávez tentou aplicar em 1992. Por que será que não incluíram na reportagem??

    • Ivan

      O período em questão é o século 21, este golpe que você esta falando foi antes, é preciso melhora a capacidade de leitura e interpretação camarada.

    • Marco Oliveira

      Foi mais uma operação de marketing político que propriamente uma tentativa de golpe. Tanto que não houve mortes.

  • Heloísa Coelho

    Tudo tem o veneno dos EUA, sempre querendo roubar a riqueza dos outros. Se acostumaram causando o Holoausto Indígena e então saíram pelo mundo, para roubar outros. Ladrões cínicos e hipócritas. Fariseus.

  • Cleber

    O texto está excelente, embora tenha explorado pouco a influência quase inquestionável dos ianques por detrás dos golpes.
    Não é de estranhar também como os EUA satanizam os países produtores de petróleo. Os países de religião muçulmana, os maiores exportadores do produto, e, na América Latina, a Venezuela, de fato têm seus problemas e não são perfeitos, mas têm também muitas qualidades e lutam, como qualquer país para se manter e melhorar as condições de vida de sua população. Entretanto, são vendidas imagens de que são países ruins, golpistas, assassinos, desonrosos, entre tantas classificações negativas.
    Agora, com a divulgação da produção no Brasil com o Pré-Sal, o nosso país passa também por tentativas de desmoralizações com artimanhas engenhosas e que poderão culminar numa tomada pelo poder de quem está a serviço dos estadunidenses. Sejamos resistentes!

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  • Marco Oliveira

    Daqui a 100 anos, quando forem liberados o acesso a documentos secretos da diplomacia americana, saberemos para quem os sinos do Moro se dobram!!

  • Alisson G. Callado

    Assim como processo golpista na Venezuela, o Equador também tem o seu documentário cobrindo estes eventos: Muchedumbre 30S https://www.youtube.com/watch?v=0Qksq39uEw8

  • Alisson G. Callado

    A Agencia Pública de Jornalismo fez uma série de reportagens extraordinárias, apontando toda a articulação e inconsistências que levaram à destituição de Fernando Lugo, dividido em 3 partes:
    http://apublica.org/2012/11/bispo-seus-tubaroes/
    http://apublica.org/2012/11/destituicao-de-lugo-vista-palacio/
    http://apublica.org/2012/11/curuguaty-matanca-derrubou-lugo/

  • zemedeiros

    Os ianques promoveram e apoiaram inumeras ditaduras na AL, entretanto todas foram apoiadas por nativos, os viralatas e seus complexos, que sempre culparam os comunista, especie em extinção no planeta.

  • Dura_Realidade

    Curioso, ninguém vai nem ao menos tentar lembrar do golpe militar dado pelo fardado Hugo Chavez?