Outro caminho é possível: 10 anos da ALBA

*Por Chico Denis

No início desta semana, completou uma década do dia em que dois líderes latino-americanos se encontraram na capital cubana, Havana, para criar a Aliança Bolivariana para os Povos de Nossa América- Tratado de Comércio dos Povos, a ALBA-TCP. O então mandatário cubano Fidel Castro e o venezuelano Hugo Chávez Frias firmaram o primeiro acordo de cooperação solidaria da aliança entre Cuba e Venezuela para que as comunidades venezuelanas mais carentes recebessem médicos cubanos e por outro lado o Estado venezuelano cooperaria com abastecimento a Cuba com seu petróleo.

Foto: Agência de Notícias Cubana

Foto: Agência de Notícias Cubana

Segundo o tratado de fundação, a ALBA tem como objetivo principal reduzir a exclusão social e a pobreza através da cooperação, a solidariedade e a complementaridade de seus países membros e dos povos do mundo. E foi através dessa cooperação que foram possíveis vários projetos exitosos como o plano de alfabetização da ALBA que ajudou milhares de jovens e adultos fora da idade escolar em situação de exclusão social a voltar à sala de aula e aprender a ler e escrever.

Nos resultados alcançados, a estatística oficial mostra que mais de 7,5 milhões de pessoas foram atendidas e 21 mil médicos comunitários formados para atuar nos países membros, assim como mais de 5 milhões de pessoas foram alfabetizadas. Graças a essas ações, países como Venezuela, Bolívia e Nicarágua entraram para a lista de países livres de analfabetismo.

No plano geopolítico, a organização teve um papel decisivo como alternativa ao projeto do Acordo de Livre Comércio das Américas (ALCA), proposto pelos Estados Unidos.

Em outubro desse ano, ALBA realizou uma cúpula extraordinária para abordar o surto do vírus ebola em países africanos, que já matou mais de 5 mil pessoas. Foi proposto um plano de ação de 23 pontos para combater a doença, sendo que o mais expressivo foi o numero de 15 mil voluntários cubanos da área da saúde que se propuseram a colaborar e o envio de mais 300 profissionais para países mais afetados como Libéria e Serra Leoa.

Além de Cuba e Venezuela, fazem parte da Aliança como membros plenos Bolívia, Equador, Nicarágua, Santa Lucia, São Vicente e Granadinas e Suriname. Haiti, Irã, Síria, Honduras e El Salvador são Estados observadores.

A ALBA deixa várias lições para os processos de integração na América Latina e no mundo. Uma delas é como buscar alternativas e respostas para desafios comuns, como a pobreza extrema, a desigualdade econômica e social e o analfabetismo. Outra lição é como a organização pode servir de modelo para os nossos modelos de integração regional para alcançar uma cooperação mais solidária e que olhe para as assimetrias entre as nações, assim como a ideia de dominação ou de sub-imperialismo estejam fora dos interesses na hora de conformar projetos comuns entre países tão diversos como o do nosso continente latino-americano.

*Chico Denis é bacharel em Relações Internacionais e Integração da primeira turma da Unila. É cearense, torcedor do Ceará e Santos, e apaixonado pela América Latina e Caribe. Coordena o Observatório Eleitoral latino-americano na universidade e escreve sobre integração regional. Com informações da EBC, Télam e TeleSur.