Segundo turno na Colômbia: entre o liberal e o ultraconservador

Os colombianos vão às urnas neste domingo (15) para escolher seu próximo presidente em uma das eleições mais disputadas e incertas do passado recente naquele país.

O segundo turno é travado entre o liberal Juan Manuel Santos, ex-ministro da Defesa do ex-presidente de Álvaro Uribe (2006-2010) e atual mandatário, e o ultraconservador Óscar Iván Zuluaga, ex-ministro da Fazenda e atual candidato de Uribe. Segundo pesquisas divulgadas na última semana, os candidatos estão tecnicamente empatados.

No primeiro turno, em que Zuluaga chegou à frente de Santos com 29,3% ante 25,7% dos votos, quem venceu mesmo foi a abstenção: nada menos que 60% dos colombianos se recusaram a ir votar – algo que não ocorria havia 20 anos.

O ponto crucial destas eleições, que dominou tanto o debate eleitoral como a cobertura da imprensa local, é o futuro do processo de paz com os grupos revolucionários que operam naquele país desde meados dos anos 60, sobretudo as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia).

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Apesar de ter protagonizado uma escandalosa uma ofensiva contra a guerrilha quando era ministro de Uribe, Santos negocia o processo paz com as Farc desde 2012, em uma tentativa de acordo intermediada por Havana. Desde que iniciou esse diálogo, o atual presidente rompeu com o agora senador eleito Álvaro Uribe, hoje seu principal desafeto.

Uribe defende que não se pode negociar com “terroristas” e acredita que não se conseguirá paz alguma com um acordo. Zuluaga, por sua vez, encarna o espírito de seu padrinho político e diz não poder tolerar que a apropriação das instituições pelo terrorismo em atos que favoreçam a impunidade. Após os resultados do primeiro turno, Zuluaga chegou a abrandar sua posição, dizendo que até negociaria com as Farc se a guerrilha abandonasse as ações terroristas, as minas terrestres, o recrutamento de crianças e os sequestros e extorsões. Também exige que seus chefes sejam presos por, no mínimo, 6 anos.

Caso Santos vença, há a certeza de continuação dos diálogos, que já avançaram em temas como a participação política dos guerrilheiros, a luta contra o narcotráfico, o reconhecimento às vítimas e a reforma rural. O atual presidente afirma ser possível por fim à guerra civil em poucos meses e diz estar disposto a levar a Colômbia a uma pacificação total. Ele também revelou na última semana que deu início a novas negociações de paz, desta vez com o guevarista ELN (Exército de Libertação Nacional), a segunda maior guerrilha do país.

  • Mirela

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