Torturador argentino procurado pela Interpol é capturado no Brasil

Roberto Oscar González, 64 anos, está sendo processado pela justiça argentina e vivia escondido na cidade de Viamão, a 32 quilômetros de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. O ex-policial é acusado de ter torturado e assassinado oposicionistas da ditadura civil-militar argentina (1976-1983) e, entre seus crimes, está a participação na morte do escritor Rodolfo Walsh e na ocultação do cadáver da vítima. Após uma busca de seis anos, ele foi capturado pela Polícia Federal do Brasil nesta segunda-feira (6/7) em um sítio de Viamão.

A Argentina pede sua extradição, mas cabe ao Supremo Tribunal Federal decidir se o Brasil vai conceder. Enquanto isso, González ficará no Presídio Central de Porto Alegre.

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roberto gonzalez

Agência de notícias da Polícia Federal

Segundo a PF, González residia com outro torturador argentino foragido, Pedro Osvaldo Salvia, 63 anos, que morreu no último dia 18 de junho. Seu corpo está no Departamento Médico Legal (DML) e será enviado a Buenos Aires. A Argentina oferecia uma recompensa de 61 mil dólares por pistas que levassem à captura dos dois. Eles criavam cavalos e González usava seu nome verdadeiro.

O corpo de uma de suas vítimas mais conhecidas, Rodolfo Walsh, nunca foi encontrado.

Rodolfo Walsh, um dos pioneiros do jornalismo investigativo da Argentina (Crédito: Wikimedia Commons)

Rodolfo Walsh, um dos pioneiros do jornalismo investigativo da Argentina (Crédito: Wikimedia Commons)

A última notícia que se tem dele é de 23 de março de 1977, data em que se supõe que tenha sido assassinado. O escritor foi abordado por agentes da repressão e, ao perceber que seria preso, sacou um revólver para que não pudesse ser capturado com vida, mas foi imediatamente baleado por um grupo de tarefas da ESMA (Escola de Mecânica da Armada) composto por cerca de 30 agentes.

Ele teria sido levado ferido, porém ainda vivo, para a ESMA. Supõe-se que tenha morrido logo depois, mas seus restos mortais nunca foram entregues à família. Patricia Walsh, ex-deputada argentina e filha da vítima, acredita que o corpo do pai pode ter sido queimado em um campo dentro da própria ESMA – um dos principais centros de detenção clandestinos da ditadura argentina. Estima-se que por ali passaram cinco mil presos.

Além de González e de Pedro Osvaldo Salvia, outros três agentes da repressão acusados de violações de direitos humanos na causa da ESMA fugiram do país: Juan Carlos Linarez, Juan Carlos Fotea e Gonzalo Sánchez ‘Chispa’, foragido em Angra dos Reis e capturado em 2013.