“Twitter cubano” não era só cubano

Charge de Adán Iglesias Toledo. Fonte: Cubadebate.cu

Charge de Adán Iglesias Toledo. Fonte: Cubadebate.cu

Vocês se lembram do “twitter cubano”? Eu ajudo: no início deste mês de abril, a Associated Press revelou que o governo dos Estados Unidos (aqueles da América do Norte) havia patrocinado na total surdina o ZunZuneo, um sistema de compartilhamento de mensagens por celular que operou na ilha entre 2010 e 2012.

Pois então. O plano dos ianques era de uma lucidez cristalina: a princípio, criar uma rede de usuários valendo-se de conteúdo “não-controverso”, tal como notícias sobre futebol, música e atualizações sobre furacões. Tempos depois, quando a plataforma alcançasse uma “massa crítica” de usuários, quiçá centenas de milhares deles, os administradores passariam a atualizá-la com conteúdo político. Para quê? Ora, caro leitor: para furar o bloqueio informacional da ilha e acender de vez a deveras latente primavera cubana, que contaminaria todo o espectro social a fim de levar a Cuba coisas básicas, como democracia, liberdade, paz, livre mercado e, me esqueci de dizer, democracia. Os cubanos, é claro, riram. E denunciaram a atitude no NetMundial, em São Paulo.

(Em tempo: um dos programadores do ZunZuneo era funcionário da embaixada dos EUA na Nicarágua. E a troça toda foi financiada pela Usaid, a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional. Aquela mesma que adora, de tempos em tempos, enviar dólares e mais dólares para as criancinhas africanas. Entre outras.)

Mas, segundo reportagem do New York Times desta sexta-feira, 25 (espie aqui), a coisa toda não parou em Cuba. Serviços semelhantes foram criados e patrocinados pelo governo dos EUA (e, desta vez, pelo próprio Departamento de Estado) também em países como Paquistão e Afeganistão. Os três serviços foram fechados abruptamente porque faltou um planejamento a longo prazo – os administradores não conseguiram mantê-los financeiramente. Já o queniano “Yes Youth Can” (Sim, os jovens podem), iniciado após as eleições presidenciais de 2007 e igualmente patrocinado pelos irmãos do norte, ainda está ativo.

O objetivo do programa cubano, segundo funcionários da administração Obama, foi o de “fomentar o debate político aberto”. Muito justo. E mais debate político vem aí: os funcionários disseram que há planos para iniciar projetos semelhantes na Nigéria e no Zimbábue.

  • Silvio

    Os estadunidenses sempre querem mais. O próximo passo será a propagando da rede de lanches McDonald, falar mal do governo e financiar levante popular; é só esperar.

  • Fabiano Amorim

    Me surpreende que um texto assim esteja vinculado à Carta Capital. Por essa eu não esperava mesmo.

    O autor sonha que os objetivos dos EUA são a democracia. Se esquece da quantidade de ditaduras que são apoiadas pelos EUA, sem que qualquer esforço seja feito no sentido de derrubá-las. Pelo contrário, há um esforço em apoiá-las para que se mantenham.

    Se esquece também de quantas ditaduras os EUA já apoiou, derrubando governos democráticos.

    Os objetivos dos EUA não são a democracia e sim apenas o seu crescimento econômico. Se o governo atual de um país lhe é favorável economicamente, terá o apoio norte-americano, independente de haver democracia ou ditadura.

  • Antaão Zurra

    Fabiano Amorim, “Me surpreende que um texto assim” entre de maneira tão atravessada no teu cérebro…
    Mais atenção da próxima vez, ou os Cubanos correm um sério risco morrer, de rir.

    • Humberto Alecrin

      Kkkkk muito boa

  • Giancarlo

    Qual o mal em apoiar um sistema de mensagens?

    Ou melhor…qual o bem em manter toda uma população sem liberdades individuais e restringir o seu acesso a informação?

    Carta Capital sem mantendo como um bastião na defesa de regimes totalitários!

    Parabéns!

    • Rui

      Não há mal algum, mas seria totalmente desnecessário se não houvesse um boicote vergonhoso e covarde a Cuba, ela poderia estar totalmente integrada a todas as comunidades. Em tempo, lembre que a maioria dos satélites são do império, e fazem parte do boicote.

    • João Carlos

      Giancarlo, o problema é fazer isso escondido, usando empresas laranjas. Se EUA quer patrocinar um “sistema de mensagens”, que deixem claro para todo mundo que estão tentando (há meia década) desestabilizar o regime cubano e não “informar a população”. Simples assim.

    • jarske

      O os Americanos querem mesmo é dominar ,não importa onde ou a quem

  • Junior Athayde

    Senhores,

    Será porque os EUA se preocupam tanto com Cuba?. Ele (EUA) é a maior potência do mundo. Deixe o povo cubano viverem sua vida do jeito que eles quiserem- isso é democracia ou não? Voces lembram do Iraque?. Mesmo com as atrocidade de Saddam Hussein o país ainda esta de pé. Hoje esta destroçado. As “liberdades individuais” voltaram? O povo passa todo tipo de necessidade e existe um clima de guerra civil que não cessara tão cedo.
    O império americano é insustentável. Ele não é exemplo em nada para o mundo. Para viverem naquele “mundinho’ de casinhas impecáveis com cerquinhas brancas muita vidas forma ceifadas mundo afora. Muita contaminação e lançada diariamente por suas indústrias nas águas, no ar ou na terra, para que os americanos mantenham seu ritmo frenético de consumo e continuarem a manter seu “welfare state”. O resto do mundo e considerado o quintal dos EUA. e para manter tudo isso, existe idiotas que ainda defendem este monstro. Tenha a santa paciência…………….

  • Kelvin

    deixa ver se entendi, o maior estado policial terrorista do mundo, que ultimamente anda financiando o neonazismo europeu, está criando redes sociais com o objetivo de espalhar a democracia, a liberdade, a educação, o amor, fadas, papai noel, coelhinho da páscoa, e muita paz…. que lindo….ah então é por isso que eles enviam drones assassinos para aquelas nações indefesas…

  • Mirin B

    Depois do Orkut, Facebook, Twitter, mais recentemente o tal do WhatsApp….esses mais conhecidos.. fora outras centenas de redes menores e sem contar milhões de aplicativos para celular estão com códigos maliciosos …. ahh tem os jogos também que a mídia não gosta de falar muito….
    E mais bilhões de sites que tentam seguir a gente…. e ainda podem usam nossos comentários para outras coisas….

  • George Pedersen

    Americano que mora aqui no Brasil falando, como vocês dizem, mando um “beijo no ombro” para vocês socialistas do caviar. Ir para Cuba, viver lá e brigar por papel higiênico ninguém aqui quer, aposto. Mas viver a vida bem em NY, ou San Francisco, todos aqui iriam querer. Por mais problemas que meu país tenha, sim, ainda somos uma democracia, podemos tirar o presidente e congressistas (podem em Cuba?) e, principalmente, temos liberdade para livre-iniciativa e prosperar sem precisar ser amigo do Rei – ao contrário de Cuba (e do Brasil, infelizmente). Boa sorte a vocês, súditos de Fidel, Chávez e Lula!

    • bhb

      HI my friend George. Realmente tu não sabes metade da missa!!

    • Bob

      Tem toda razão, George. Aqui no Brasil está cheio de adoradores de tiranetes socialistas latino americanos.

    • marcelino

      George, eu sempre achei os americanos, ressalvadas as exceções, um povo culturalmente mediocre, pobre de principios, que tem uma visao absolutamente limitada do que seja democracia, confundindo-a com individualismo, liberdade de empresa e de votar num colegio de delegados que tera apenas duas opções de escolha pra presidente, um a favor do aborto, de um pouco mais de impostos e contra o direito absoluto de ser cowboy e outro que pensa o oposto. O que vc diz so reforça minhas convicções. Como chamar de “maior democracia do mundo” um pais que, alem das mazelas internas, patrocinou e patrocina golpes e ditaduras mundo afora (a america latina conhece bem esse historico), como faz com organizações cubano-americanas sediadas em miami, que ate derrubaram um aviao matando varias pessoas, viola a soberania dos paises, inclusive para cometer assassinatos, nao respeita a autodeterminacao dos povos, nao respeita as leis internacionais, inventa e cria guerras apenas para mudar regimes que nao se submetem e abrir novos mercados para sustentar seu capitalismo cruel as custas da miseria e fome de outros povos. Viva o Brasil, que ja foi vitima do imperio, que esteve a um passo da invasao em 1964, mas que hoje nao se submete, denuncia as interferências nos foruns internacionais e nao tira mais os sapatos nos aeroportos dos EUA.

    • Elder

      George, go home!

  • Plinox

    George, não gostaria de me mudar para o seu querido EUA. Mas obrigado pelo convite. Sabe como é, eu tenho consciência moral, e não apoio países imperialistas, que derrubam governos democráticos, matam milhões de inocentes, financiam ditaduras, e enriquecem explorando os outros. E nos EUA as grandes empresas não só são amigas do rei, como elas até mesmo mandam no rei.

    A “lógica” desse pessoal é assim: tudo o que os países “amigos” fazem (leia-se aí EUA e seus súditos) é bom e democrático. E tudo o que os países de esquerda fazem é automaticamente demonizado, sofrendo uma campanha incessante de difamação.

    Eu não entendo toda essa idolatria que o pessoal de direita tem, toda essa subserviência para com os EUA. Mesmo se eu fosse um capitalista de carteirinha, do tipo que andasse por aí com uma camisa escrito: “Eu AMO Capitalismo”, mesmo assim eu ia querer que o Brasil fosse um país forte e com iniciativa. Não ia ficar com essa cachorrice toda, defendendo os EUA em tudo.

    Nos EUA o Snowden teve que fugir para outro país, e os cidadãos sofrem invasão constante de privacidade pelo seu governo, tal como no livro 1984, aquele do Big Brother. E na Inglaterra, um dos principais jornais do país sofreu ameaças de fechamento pelo governo se não se livrasse de algumas informações confidenciais. Em Cuba realmente, existe restrição de liberdade de informação, mas antes de ficar com este discurso hipócrita, EUA e Inglaterra deveriam cuidar da própria casa primeiro, né?

    E, se o regime de Cuba não é democrático, ficar desestabilizando o governo dos outros por subterfúgios suspeitos também não o é, e muito menos ficar invadindo e bombardeando países, inventando mentiras, e se apossando do petróleo local, como no caso do Iraque. E um complemento: mesmo se o que George Bush falasse fosse verdade, desde quando possuir armas de destruição em massa seria justificativa para matar e torturar civis inocentes? E se formos seguir essa lógica, os próprios EUA deveriam ser os primeiros a serem invadidos, porque eles possuem armas de destruição em massa até não poder mais.

    • Daniel

      Bela resposta… Até parece q mudando presidentes nos EUA, muda-se algo. Lá principalmente, não importa quem ocupa a cadeira. Tem q trabalhar para lobistas de grandes corporações e bancos.

      Que orgulho idiota esse cara sente…

    • Elder

      Clap, clap, clap,clap… (de pé).

  • Henrigeo

    Esse cara deveria voltar pros EUA já que gosta tanto de lá, o que está fazendo aqui? Vazaaaa