Um soldado contra o Ebola

Ronald Hernandez Torres é um dos médicos cubanos enviados à Libéria em uma missão oficial para combater o Ebola. Até o momento, 2.812 pessoas morreram no país africano contaminadas pelo vírus, sendo a OMS (Organização Mundial da Saúde). Em seu perfil do Facebook, Hernandez Torrez publicou um depoimento neste domingo (15/11) sobre como é o cotidiano na luta contra a epidemia, traduzido pelo blog.

“Sou médico há vinte anos. Recebi muitas aulas sobre o Ebola. Li bastante, mas nada comparado a atender diretamente um doente. É preciso fazero possível e até o impossível para frear esta epidemia, e impedir que pessoas continuem morrendo por falta de assistência médica. A cada dia me sinto mais orgulhoso da minha profissão, do altruísmo e do internacionalismo em que fomos educados”, escreveu ele.

Ronald Hernandez Torres (Reprodução: Facebook)

Ronald Hernandez Torres (Reprodução: Facebook)

Em outubro, o governo cubano enviou 83 médicos para a Libéria e 83 para a Guiné.
Os integrantes da brigada têm mais de 15 anos de experiência e 42% deles já cumpriram missões parecidas em uma ou mais ocasiões em diferentes países. A meta oficial da Libéria é não ter novos casos pelo menos até 25 de dezembro.

Bom dia amigas e amigos do Facebook, a brigada cubana na Libéria continua seu trabalho na unidade de tratamento do Ebola. Parte deles está lá neste momento, e outros se juntarão a eles à tarde. A pedido de várias pessoas, hoje vou explicar um pouco sobre o funcionamento e sobre o procedimento de biossegurança, indispensável para garantir a saúde da equipe de trabalho.

Primeiro, os trajes são impermeáveis, como poderão ver, cobrem todo o corpo, incluindo a cabeça, com um capuz do mesmo traje. Usamos botas de borracha, máscaras e óculos, com dois pares de luvas. Entre um paciente e outro, é preciso lavar as mãos com hipoclorito a 0,5% e trocar as luvas. Nós andamos sempre em duplas ou trios. Entre nós, nos encarregamos de zelar pela qualidade da vestimenta, não pode ficar uma parte da sua pele descoberta.

Reprodução: Facebook

Reprodução: Facebook

A hospitalização se divide entre suspeitos, casos prováveis e confirmados, sempre passamos visita do primeiro ao último, e nunca voltamos, ou seja, o fluxograma é em uma direção apenas. Não são usados artigos pessoais dentro delas [das visitas], nem lápis, se escreve em uma lousa informativa ou em algo como um mural as indicações do tratamentos, os sinais vitais, temperatura e pulso.

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Reprodução: Facebook

O mais importante é primeiro escolher o tamanho adequado do traje, e o maior perigo é ao tirá-lo porque pode contaminar com secreções, vômitos etc dos pacientes. Aqui, na saída, temos o apoio de nossos epidemiólogos, a alma da missão. Eles nos guiam em cada passo, dando apoio psicológico, muito importante. Pois depois de duas horas com a roupa, o desejo é tirar e tomar água. Primeiramente, derramam hipoclorito a 0,5% em todo o corpo, depois vamos tirando lentamente toda proteção, lavando as mãos. É um longo e complexo processo mas, com a qualidade como é feito, impede-se que possam existir problemas.

Em caso de estar dentro da área vermelha e alguém se sentir mal, ter muita sede ou desejo de fazer alguma necessidade fisiológica, interrompe-se o trabalho imediatamente e você sai acompanhando de um companheiro. Depois de concluído todo o processo, nos dão sais de reidratação oral e água, e existem condições para o descanso. Trabalha-se em turnos de 6 horas, mas não ficamos dentro da área vermelha por mais de duas horas.

Espero que isto esclareça parte das dúvidas.

Obrigado.

Processo de higienização dos equipamentos (Reprodução: Facebook)

Processo de higienização dos equipamentos (Reprodução: Facebook)

O mais importante é tirar o equipamento, relata o cubano (Reprodução/Facebook)

O mais importante é tirar o equipamento, relata o cubano (Reprodução/Facebook)

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