Uma semana de três pleitos

Esta semana poderá decidir coisas importantes para a América Latina nos próximos anos.

Embora o Brasil esteja mais preocupado com sua própria instabilidade e as tentativas forçadas de quebrar a ordem constitucional, em três outros países da região haverá eleições. São as três eleições programadas para a América Latina neste ano de 2015, e todas elas poderiam ser decididas nas votações que acontecerão neste 25 de outubro.

Guatemala

Na Guatemala, certamente haverá um eleito, ou uma eleita. O segundo turno será entre Jimmy Morales – empresário de direita, dono de um discurso belicista, de apoio ao endurecimento do combate às drogas e à corrupção – e Sandra Torres, jornalista e representante da centro-esquerda guatemalteca.

Jimmy Morales e Sandra Torres, em um dos debates durante o segundo turno das eleições. (foto: Canal Guatevisión)

Jimmy Morales e Sandra Torres, em um dos debates durante o segundo turno das eleições. (foto: Canal Guatevisión)

As pesquisas realizadas desde setembro se dividem entre as que dão uma vitória magra de Morales, com diferença de pouco mais de 5%, e as que preveem uma votação de mais de 60% a seu favor. Por outro lado, Torres acusa os institutos de manipular os resultados das medições para criar um clima favorável a Morales, alegando que não se nota uma diferença entre os candidatos no apoio manifestado nas ruas.

Quem vencer a disputa assumirá um cargo que hoje está sendo ocupado interinamente pelo advogado Alejandro Maldonado, desde que o último presidente eleito, o ex-militar Otto Pérez Molina, foi preso, dias antes do primeiro turno, por envolvimento num caso de corrupção dentro do serviço aduaneiro – um esquema que, segundo acusação de Sandra Torres esta semana, financia a campanha de Jimmy Morales.

Argentina

A outra eleição que pode terminar com um vencedor e a da Argentina, que viverá neste domingo o seu primeiro turno. O governista Daniel Scioli tentará fazer dele o primeiro e único. Para isso, terá que conseguir mais de 40% dos votos válidos – algo aparentemente seguro, considerando as pesquisas de opinião – e uma diferença de mais de 10% sobre o segundo colocado.

Scioli e Macri, esperando a cidadania argentina decidir se haverá ou não segundo turno. (foto: Infobae)

Scioli e Macri, esperando a cidadania argentina decidir se haverá ou não segundo turno. (foto: Infobae)

Essa parte ainda não está assegurada, já que o conservador Mauricio Macri, ex-prefeito de Buenos Aires, se mantém dentro da faixa dos 30% das intenções, e poderia conseguir os votos necessários para levar a um desempate, no dia 22 de novembro. Nesta semana, os dois tentarão conquistar os votos necessários para os seus objetivos, enquanto o reformador Sergio Massa – terceiro colocado, com 22% nas pesquisas – tentará ser a grande surpresa da jornada.

Os três candidatos disputam quem será o primeiro presidente eleito na Argentina neste século que não terá o sobrenome Kirchner, depois de um mandato de Néstor e dois da atual presidenta, Cristina. Caso aconteça um segundo turno, também será o primeiro da história da Argentina – em 2003, Carlos Menem retirou sua candidatura uma semana antes do segundo turno contra Néstor Kirchner, definindo a vitória do seu adversário.

Haiti

Finalmente, o Haiti também terá sua eleição presidencial, que tende a ser, infelizmente, marcada pelos mesmos conflitos e dúvidas que já foram verificados nas disputas de anos anteriores.

Eleições no Haiti terão 54 candidatos, e a apuração poderá durar dias. (foto: AFP)

Eleições no Haiti terão 54 candidatos, e a apuração poderá durar dias. (foto: AFP)

Para não ir tão longe, neste mesmo ano, nas eleições legislativas de agosto, o país já enfrentou problemas, e só conseguiu apresentar os primeiros resultados no último dia de setembro, quase dois meses depois da votação.

A eleição haitiana é completamente imprevisível. São 54 candidaturas disputando o cargo que hoje pertence a Michel Martelly, o que dificulta a medição do cenário eleitoral através de pesquisas.

A votação do próximo domingo será apenas o primeiro turno, e embora poderia terminar com alguém eleito já nessa instância, não há certeza de que os resultados da apuração poderão ser definidos ainda durante a próxima semana – entre outros motivos, porque o processo continuará sendo organizado pelas forças militares estrangeiras, o que está longe de ser um facilitador do processo.

  • Deciocar

    Porque vcs não noticiaram o que o Maduro falou sobre a necessidade de vitória, a qq custo, das eleições de dezembro ? e não aceitaram a supervisão da OEA para as eleições ?
    Vcs não conseguem se libertar do jugo…

  • Jorge Alberto da C. Rodrigues

    Kirchnernismo, lulismo, chavismo, peronismo e alguns outros “ismos” são as grandes pragas da América Latina. Os latino-americanos têm índole paternalista e se deixam facilmente ludibriar por políticos populistas, ineptos, patrimonialistras e, muitas vezes, corruptos.

    • Ricardo

      A grande praga da América Latina é deixar-se ludibriar por promessas de ganho fácil do liberalismo estadunidense, que resulta em riqueza para poucos, pobreza para muitos e dependência para todos.