Víctor só queria aparecer na televisão

*Assistido, filosofado, planejado, organizado, executado e escrito em parceria com Daniella Cambaúva

Lançado no Paraguai em 2012, o filme está em cartaz no Brasil em São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre e em Brasília.

Não, caro leitor desta incipiente porém auspiciosa rede. Não estamos falando do colega de firma Victor Farinelli, que lá do Chile abrilhanta vossos pixels com informações e opiniões sobre a Pátria Latina. O Víctor da vez é caixeiro, paraguaio, e um dos mais enternecedores personagens criados pela ficção recente. E não, este texto não é uma resenha de 7 caixas (7 cajas), filme que protagoniza: é um apelo para que os senhores o vejam. E rápido.

cartazVíctor, interpretado por Celso Franco, quer aparecer na televisão. Em uma propaganda, uma novela, um filme… não importa: o sonho do garoto é ser protagonista em uma cena projetada a milhares de paraguaios. O caixeiro tem 17 anos e é mais um entre tantos na disputa por carregar as mercadorias dos fregueses do tradicional Mercado 4, em Assunção. O mercado? O leitor que já esteve em alguma área de livre comércio paraguaia, como Cidade do Leste ou Pedro Juan Caballero, sabe bem: tem de tudo. Frutas, legumes, roupas, carne, utensílios domésticos, perfumes, eletrônicos ou qualquer outra coisa que possa imaginar vossa mais vã filosofia.

A história de Victor começa quando ele, distraído enquanto assistia a um filme em uma banca de DVD, perde uma cliente para Nelson, um carregador concorrente. E começa a aflorar quando ele passa a querer comprar um celular usado com câmera filmadora — para aparecer na televisão — e se propõe a fazer um trabalho duvidoso: carregar e guardar sete caixas como fossem sua própria vida. Em troca, receberia uma nota de 100 dólares.

Víctor não sabe o que há dentro das caixas. Percorre zeloso os corredores do mercado e arrisca a própria vida por elas. Seu celular dos sonhos, afinal, tinha um preço inatingível para ele: 600 mil guaranis (o equivalente a 300 reais, de acordo com a cotação oficial de 2014 — a história acontece em abril de 2005). Daí a sanha ensandecida pelos 100 dólares praticamente inalcançáveis por meio de seu trabalho. Mas garantimos: vocês não irão culpá-lo. Ele só queria aparecer na televisão.

televisão

Dos diretores Juan Carlos Maneglia e Tana Schémbori, 7 caixas nos convida a sentir quase tudo. Parece nos iniciar em um drama à moda Televisa, mas acaba por nos desviar para diversos pequenos atalhos, levando-nos, tão rápido quanto possível, do cruel suspense à ingênua comédia. Não à toa, ganhou mais de 10 prêmios (espie aqui).

Trailer oficial: